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COLUNA

Top Pipoca com Pedroka

Pedro Martinez

Dois Papas: o encontro...

Tempo de mudanças

25 dezembro 2019 - 12h05

Depois de sua breve e limitada exibição teatral, Os Dois Papas está em cartaz na Netflix.

- Sobre o que é Pedroka?

O Cardeal Jorge Mario Bergoglio (Jonathan Pryce), o futuro Papa Francisco II, é convocado ao Vaticano para uma reunião com o Papa Bento XVI (Anthony Hopkins). Estamos em 2012 e o cardeal, tendo problemas para perceber onde sua abordagem humanista se encaixa na moderna Igreja Católica, está buscando permissão para se aposentar e servir como um simples pároco. Ao longo de uma conversa que dura vários dias, os antigos rivais teológicos se familiarizam melhor e Bergoglio descobre a verdadeira razão pela qual o papa Bento não aceita sua decisão de "encerrar" a carreira.

Era ele quem queria deixar o posto devido a alguns escândalos.

Os Dois Papas pertence à rica tradição cinematográfica dos dois jogadores, em que conversas tranquilas e momentos sutis servem para elucidar as profundidades complexas da alma. O fato de conseguir contar isso claramente pode ser um empreendimento difícil mas também muito impressionante, considerando que os personagens são um papa atual e um futuro num momento de profunda crise, ao invés de amigos em um café ou amantes românticos.

As apostas em contar essa história não poderiam ser maiores.

O diretor Fernando Meirelles, mais conhecido por fazer filmes viscerais como "Cidade de Deus", reduz as coisas ao trazer o roteiro de Anthony McCarten para a tela. No entanto, existem momentos de amplo alcance visual que fornecem contexto e drama: a história começa em 2005 com Bergoglio realizando uma grande missa ao ar livre em sua cidade natal, Buenos Aires, antes de seguir para o conclave papal daquele ano que elegeria o cardeal Joseph Ratzinger como Papa Bento XVI.

As perspectivas contrastantes desses dois homens são habilmente estabelecidas: enquanto Bergoglio, progressivamente orientado, é retratado como um forasteiro e deixa Ratzinger perplexo ao cantarolar Dancing Queen" do ABBA no banheiro. Já Bento é conservador e todos esperam por isso.

E quando eles se reencontram agora em 2012, com Bergoglio desesperado por uma vida mais simples e o papa Bento inflexível em sua recusa em concedê-la, as circunstâncias mudam significativamente. A igreja foi assolada por um grande escândalo e a necessidade de reforma entrou em vigor.

É aqui que a conversa do centro do filme começa, a comoção desaparece em segundo plano e Meirelles nos deixa com o prazer considerável de assistir a dois atores maravilhosos descobrindo a essência dessas figuras extraordinárias.

No silêncio dos aposentos pessoais do papa, ou contra o esmagador esplendor da Capela Sistina, Pryce e Hopkins revelam o peso do fardo imposto a esses homens. À medida que os personagens buscam um entendimento comum e se tornam cada vez mais conscientes da magnitude do que está por vir, os atores infundem até os momentos mais confiantes externamente com uma sensação de reverência genuína.

Os Dois Papas é sobre um encontro de responsabilidades.

5 pipocas!

Em cartaz na Netflix.