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Centenário Manoel de Barros: Centro Cultural exibe a Exposição Invencionices

As obras expostas foram pintadas ao vivo durante um Sarau em homenagem ao poeta

20 DEZ 2016
FCMS
11h08min
Foto: Reprodução

Artistas visuais da Confraria Socioartista se reuniram na noite desta segunda-feira para a abertura da exposição Invencionices, em homenagem a Manoel de Barros. No dia em que o poeta completaria 100 anos, os artistas da Confraria realizaram exposição com obras em óleo sobre tela baseadas nos poemas de Manoel. A abertura da exposição aconteceu às 19h30, na Galeria Wega Nery do Centro Cultural José Octávio Guizzo.

As obras expostas foram pintadas ao vivo durante um Sarau em homenagem ao poeta no Centro Cultural José Octávio Guizzo e hoje fazem parte do importante acervo da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

O artista visual Pedro Guilherme Garcia Goes, presidente da Confraria Socioartista, falou em nome de todos os associados. “É uma alegria participar com vocês deste momento, amigos queridos dessa Confraria. Nós falamos a mesma língua, gostamos das mesmas coisas. A Confraria é um grupo de artistas sul-mato-grossenses, nesta associação podemos nos organizar melhor. O artista visual ficava muito só no seu atelier e não buscava de forma coletiva seus objetivos e anseios. No começo deste ano surgiu a ideia da Confraria. Sentimos necessidade de encontrar nossos amigos, que passaram a se reunir em torno de um objetivo comum, em prol da cultura, da nossa arte. Hoje somos 42 artistas visuais de Mato Grosso do Sul”.

Pedro disse que a exposição Invencionices abrigou um pouco da ideia dos artistas da confraria. “Isso para nós tem um significado muito grande. As obras foram pintadas em três horas, o que mostra a importância e a qualidade de nossos artistas. Eu, por ser contemporâneo, quero pintar minha aldeia. O artista tem que pintar o seu quintal. Estou muito feliz por este momento. Nós temos que driblar essa crise econômica e de valores. Junto com a confraria, fizemos a Operação Piracema: vamos nadar contra essa maré e dar vida nova aos nossos sonhos, para construir um amanhã melhor”.

A secretária adjunta de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei), Andréa Freire, agradeceu a presença de todos. “É um prazer ter todos vocês aqui, prestando essa homenagem a Manoel de Barros, nosso querido poeta, que nos ensina que é possível nos reinventar. Essas invencionices são um pouco isso. Vocês artistas podem reinventar a obra de Manoel de Barros. Tenho nesses dias lido muito Manoel de Barros. Viva Manoel!”. Andréa encerrou seu discurso com a leitura da poesia “Lacraia”.

O secretário da Sectei, Athayde Nery, agradeceu em nome do presidente da Confraria Socioartista a realização da exposição, que ocupa a Galeria Wega Nery do Centro Cultural José Octávio Guizzo. “Agradeço também a todos os funcionários que fazem isso se tornar possível. O Manoel tem uma poesia que se chama ‘O fazedor de amanhecer’. Hoje, 100 anos de nascimento do poeta, estamos aqui reunidos. Nós conseguimos fazer uma parceria com Ique, renomado artista, para colocar Manoel de Barros em algum lugar na nossa cidade. Nós aqui formamos esse time de fazedores de amanhecer. Nosso teatro Aracy Balabanian está fechado, em reforma, mas a gente tem esse espaço maravilhoso que é o Centro Cultural”. Athayde terminou sua intervenção declamando o poema “Sabiá”.

A musicista Lenilde Ramos executou ao piano e cantou composição de sua autoria, que acompanha a poesia “Pertences de uso pessoal”, poema de 1969 do livro “Gramáticas Positivas do chão”. Lenilde musicou este poema pensando no comentário de Manoel de Barros, que não queria “nada bonitinho”. Então, ela fez uma polca de uma nota só, inspirada no samba de uma nota só, como homenagem a todos os precursores da polca rock no Estado. Sobre a Confraria, ela diz: “Este é um movimento que está nascendo, está funcionando bem, a arte precisa dessa união. Os artistas de outras expressões artistas têm que participar”.

A artista Patrícia Helney pintou o quadro intitulado “Memórias Inventadas”, baseado na poesia de mesmo nome. “É uma poesia que fala da infância. Ele diz que eram 13 casas num vilarejo, e uma era a venda de seu avô, chamado de lavador de pedras. Tem as crianças brincando... Escolhi este poema porque refletiu a minha identidade. Eu gosto de repetir signos, as 13 casas, as festas juninas, brincadeira de crianças. Fico muito feliz em participar desta homenagem ao poeta. É um artista homenageando outro artista: bárbaro!”

Sônia Corrêa preferiu ilustrar o poema “A Árvore”. “Eu achei leal, ele empresta o irmão para ser árvore. Daí esse irmão aprende sobre o sol, a lua, as flores e o casulo da cigarra, que só serve para fazer poesia. Tem tudo de natureza, céu azul, lírios do pantanal... a força da natureza está aí. Eu sou aquidauanense e Aquidauana é o portal do pantanal. Morei oito anos na Fazenda Fortaleza, por isso as poesias de Manoel de Barros são familiares para mim. Passa um filme na minha cabeça. É uma honra poder representar num quadro uma poesia dele”.

O fotógrafo Roberto Higa também faz parte da Confraria e expõe uma foto que fez do poeta em um momento de descontração. “Em 2006 eu tive um AVC, fiquei 16 dias em estado de coma a ponto de chamarem minha família e dizerem que eu tinha morrido. Mas acordei e fiquei ‘na boa’. Minha primeira pauta para a Carta Capital depois do AVC foi essa foto do Manoel. É como se eu voltasse a viver, então quis fazer uma foto diferente, como a do Einsten mostrando a língua. O poeta, trocando de camisa para uma foto fez a pose e disse: ‘serve assim?’ Eu sou o cara que mais fotografou Manoel de Barros aqui em Mato Grosso do Sul. Acho que consegui registrá-lo bem”.

Sobre a Confraria, Higa diz que os artistas visuais estão começando a olhar para dentro, “desbravando a cultura do Estado”. “Aprendi uma coisa: o artista pode ser o que quiser, desde que goste do que faça e que saiba fazer. Com a Confraria, em nove, dez meses estamos reunindo toda essa turma aqui sem estrelismo, sem a fogueira das vaidades. Temos que parar de olhar para fora e olhar para nós mesmos. Temos que olhar o coletivo”.

A exposição Invencionices estará aberta para visitação até o mês de janeiro de 2017. O Centro Cultural José Octávio Guizzo fica na rua 26 de agosto, 453, Centro.

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