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Camara Maio

Manoel de Barros transformou o Pantanal em poesia e completa 97 anos hoje

Homenagem

19 DEZ 2013
manoel de barros
14h55min
O poeta de sorriso largo. Foto: Renata Caldas

"Meu fado é de não entender quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades"- A semântica do verso já denuncia seu autor. Manoel de Barros, nascido no dia 19 de dezembro de 1916, viveu a infância no período entre guerras (1ª e 2ª mundiais). Mas sua realidade estava alheia aos conflitos e à corrida armamentista que acontecia na época.

Foi em uma fazenda no Pantanal que o poeta das coisas simples da vida começou a desenvolver sua genialidade e sensibilidade, a partir dos 13 anos. Transformou o Pantanal em versos, espalhados em mais de 30 livros publicados ao longo dos seus 97 anos de vida.

Hoje é o seu dia. Difícil contemplar o poeta da geração de 45 em um único texto. Hoje, Manoel é célebre nas redes sociais. Seus livros se tornaram uma fonte inesgotável de aforismos (frases célebres) que tocam aqueles saudosos pela infância e fala ao coração dos entusiastas de sua obra através das estrofes atemporais do poeta das peraltagens.

 

Das coisas simples, Manoel de Barros é doutor. Entendedor da natureza humana, seu olhar é avesso a modinhas e estrelismos. Os recortes e suas impressões diferenciadas dos fatos e da realidade fizeram com que ganhasse diversos prêmios sendo um dos principais poetas vivos na atualidade.

Conversamos com a neta de Manoel, Joana de Barros Catan. Perguntada sobre o estado de saúde do poeta, Joana confirma o que muitos sabem. "Meu avô está com a saúde debilitada por causa da idade. Já não anda mais. Ele não sai de casa. O médico dele vem aqui consultá-lo. Contudo, ele está lúcido."

19 de dezembro - Para celebrar os 97 anos do avô poeta, Joana se reuniu em um almoço com os familiares próximos. "Meu avô não gosta e nunca gostou de aniversários. Por isso, hoje a gente vai almoçar com ele, com a minha avó Stella (91) juntamente com os netos e bisnetos", conta.

 

Nos últimos anos, Manoel de Barros sofreu duas perdas irreparáveis que acabaram por o fragilizar ainda mais. "Meu avô perdeu o meu pai. João, num acidente em 2007. Este ano, meu tio Pedro também se foi. Depois disso, a sua saúde piorou", desabafa a neta de Manoel.

Sobre a indicação ao prêmio Nobel de literatura, Joana diz que até agora a família não recebeu nenhuma correspondência ou notificação. "As pessoas torcem, especulam, questionam, mas até agora não temos nenhum posicionamento concreto."

Em 2007 foi lançado um curta-metragem produzido por Evandro Salles e Marcia Roth intitulado “Histórias do Dedão do Pé do Fim do Mundo” que conta com textos diversos, extraídos de sua obra. A deliciosa animação põe os versos de Manoel de Barros em movimento. As reviravoltas típicas da cabeça de uma criança são transmitidas em som, cor, movimento e narração:

Enquanto milhares de adultos “mortais” se esqueceram da forma como sonhavam, brincavam e inventavam suas histórias enquanto infantes, Manoel de Barros imortalizou a sua infância com detalhes dignos de um prodígio. Parabéns ao poeta que nos ensinou que o motivo da longevidade é nunca deixar de ser criança.

A seguir, alguns dos vários adágios compartilhados nas redes sociais:

O poeta de sorriso largo. Foto: Renata Caldas
O poeta de sorriso largo. Foto: Renata Caldas
O poeta de sorriso largo. Foto: Renata Caldas

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