A presidente da Fundac (Fundação de Cultura de Campo Grande), Juliana Zorzo, e o secretário adjunto de Planejamento e Finanças, Ivan Jorge, afirmaram que a prefeitura não tem condições de realizar o repasse de R$ 4 milhões, referentes aos editais do Fmic e Fomteatro, de 2014. Apesar disto, a diretora-presidente garantiu a continuidade de projetos como a Quinta Gospel, que é alvo de ação do Ministério Público Estadual. A declaração foi dada na tarde desta segunda-feira (9), durante reunião com a categoria, no Paço Municipal.
De acordo com a secretária, devido ao orçamento reduzido, apenas as oficinas em bairros têm continuidade garantida em 2015. Eventos tradicionais, como a Noite da Seresta, e a polêmica Quinta Gospel (veja mais aqui), também devem ocorrer, porém de maneira mais econômica. "A Noite da Seresta ocorreria no bairro e a Quinta Gospel voltaria em uma formato mais simples", explicou Zorzo.
As atividades são prioridade dentro de um orçamento, que de acordo com Ivan Jorge, pode chegar a no máximo R$ 21 milhões. O secretario afirmou que o corte de R$ 194 milhões na receita exigiu redução nos gastos do executivo municipal. "Ainda precisamos chegar em uma redução de 22% do orçamento em todas as áreas", justificou.

(Zorzo e Ivan Jorge participaram de coletiva de imprensa na tarde de hoje / Foto: Deivid Correia)
Desde a semana passada, artistas e produtores culturais fazem manifestações, e até chegaram a ocupar o prédio da Fundac, exigindo o cumprimento da lei que destina 1% do orçamento para a Cultura, além do pagamento dos repasses do Fmic e Fomteatro e a execução orçamentária para 2015.
No ano passado, R$ 33,9 milhões deveriam ter sido aplicados no setor. Em 2015, a Câmara de Vereadores votou pela redução de cerca de R$ 14 milhões.
Segurança reforçada
Durante reunião com a categoria, na tarde desta segunda-feira, os representantes da prefeitura apresentaram proposta de pagar R$ 1 milhão dos R$ 4 milhões, previstos nos dois editais de 2014. O repasse seria parcelado em quatro vezes, mas foi rejeitado por artistas e produtores culturais, que promoveram um panelaço em frente ao Paço Municipal.
Para o produtor audivisual, Airton Raes, o que está ocorrendo é um desrespeito com toda a política cultural constituida no último ano. "A proposta de pagar apenas R$ 1 milhão mostra que eles não entendem nada da política vigente", afirma.
O músico e compositor Jerry Espíndola afirma que há incoerência por parte da prefeitura ao alegar falta de recursos para os repasses. "Eles dizem que não tem dinheiro e mantém mais de 1.360 cargos comissionados. O número é maior do que em São Paulo", destaca.

(Guarda foi reforçada em frente ao prédio da Fundac / Foto: Deivid Correia)
Diante da ameaça de reocupação do prédio da Fundac, a segurança foi reforçada no local. Cerca de 15 guardas foram deslocados para fazer a segurança da fundação. (Colaborou Anna Gomes)







