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Simpósio de Educação Patrimonial discute a valorização da capoeira

11 DEZ 2016
13h32min
Foto: Notícias.MS

Teve início o III Encontro Estadual para a Salvaguarda da Capoeira em Mato Grosso do Sul e o VI Simpósio Estadual de Educação Patrimonial. O evento acontece no auditório do Instituto Histórico e Geográfico, em Campo Grande.

Compuserasimposiom a mesa debatedora Marley Sigrist, da Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore; Carlos Versoza, da Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial e da Cidadania (Subpirc/Sedhast); Norma Daris, superintendente do instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Caciano Lima, gerente de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação de Cultura de MS; Andréa Freire, secretária adjunta de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei) e Lucimar Espíndola (Mestre Cai Duro), do Fórum Estadual da Capoeira de MS.

Norma Daris, superintendente do Iphan, iniciou os trabalhos fazendo um breve resumo das ações do Iphan. Em 2014 aconteceu o Primeiro Encontro da Salvaguarda da Capoeira em Mato Grosso do Sul e em 2015, o Segundo Encontro, que gerou o Fórum Estadual da Capoeira. “O Iphan estará sempre ao lado dos mestres e estudiosos da capoeira, dando todo o apoio necessário”.

A secretária adjunta da Sectei, Andréa Freire, saudou a todos os mestres presentes e capoeiristas que ajudaram a construir “essa expressão tão genuína da cultura brasileira”. “É uma satisfação que a Fundação de Cultura esteja junto com vocês para contribuir na ampliação do espao da capoeira em Mato Grosso do Sul. Queremos agradecer ao Iphan, à professora Marley, ao Carlos Versoza, subsecretário da Igualdade Social, que é uma conquista do Estado. Que deste evento possam sair proposições positivas, que em 2017 possamos estar cada vez mais juntos”.
Marley Sigrist, da Comissão Sul-Mato-Grossense de Folclore, cumprimentou a todos os mestres que fazem com que a capoeira se mantenha viva na memória nacional. Ela falou sobre o registro, pelo Iphan, em 2008, da Roda de Capoeira e Ofício dos Mestres de Capoeira. O Patrimônio Imaterial é composto pelas práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas, junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.

O Patrimônio Cultural foi instituído pelo artigo 216 da Constituição Federal de 1988 e nos parâmetros do Patrimônio Imaterial, criado por decreto em 2000. Suas características são: transmitido de geração a geração, o patrimônio cultural imaterial é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza.

Os bens culturais imateriais passíveis de registro pelo Iphan são aqueles que detêm continuidade histórica, possuem relevância para a memória nacional e fazem parte das referências culturais de grupos formadores da sociedade brasileira.

Segundo Marlei, o decreto 3.551, de 4 de agosto de 2000, institui o registro de bens culturais de natureza imaterial e cria o Programa Nacional de Patrimônio Imaterial, que implementam políticas públicas para o reconhecimento, a valorização e o apoio sustentável aos bens culturais de natureza imaterial. A salvaguarda é um conjunto de medidas no intuito de garantir a viabilidade e a revitalização de diversos aspectos da manifestação cultural eleita como patrimônio cultural imaterial.

Logo depois, o subsecretário de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial e da Cidadania (Subpirc/Sedhast), Carlos Versoza, fez um resumo das ações da subsecretaria, criada no fim de 2014. Seguiu à sua fala a palestra de Caciano Lima, gerente de Patrimônio Histórico e Cultural da Fundação de Cultura de MS, que fez um retrospecto dos Simpósios de Educação Patrimonial já realizados. “Trazer a capoeira enquanto patrimônio cultural para o simpósio é muito importante, principalmente pelas questões que foram levantadas sobre a educação formal. Os mestres de capoeira sem curso superior ganham menos que os professores formados, principalmente em educação física. Queremos fomentar as discussões desta questão no campo formal da educação, especificamente da educação patrimonial”.

Lucimar Espíndola, o Mestre Cai Duro, fez um breve relato das ações do Fórum Estadual de Capoeira, que existe há um ano, e distribuiu aos presentes o regimento interno do Fórum. As discussões proporcionadas pelo evento, intercaladas com as palestras, foram intensas e calorosas, com ampla participação dos presentes.

Lamartine José, o Mestre Pernambuco, disse que como patrimônio cultural, a capoeira teve um reconhecimento, “para que a sociedade enxergue esta manifestação cultural com outro olhar, sem a criminalização. O Estado olhar para a arte negra é de extrema importância, pois a sociedade nos olha diferente, sem preconceito. Hoje ainda tem muito isso. Aqui em Mato Grosso do Sul temos um diferencial, pois a capoeira faz parte de alguns fóruns, como o Fórum de Educação da Diversidade Étnico-racial de Mato Grosso do Sul; o Fórum das Entidades do Movimento Negro; o Fórum de Saúde Estadual e o Fórum Estadual de Cultura. Capoeira não é só levantar a perna, estamos em busca das políticas públicas para a população negra”.

Para Mestre Pernambuco, a Sectei e a Fundação de Cultura sempre receberam os mestres capoeiristas e deu todo o apoio “para desenvolvermos nosso trabalho”. “A Sectei tem um papel importante na capacitação para elaborar projetos, nos capacita para buscar recursos não só aqui mas também em nível nacional. Os grupos de capoeira daqui de Mato Grosso do Sul são voltados para a questão pedagógica, não só como esporte. O trabalho social é muito forte, há assistentes sociais, professores de educação física, pedagogos, psicólogos… os grupos são mais bem estruturados. Isso levou um tempo para que o pessoal entendesse”.

As discussões continuam na tarde deste sábado e acontecem no domingo no período da manhã e da tarde. Os produtos a serem concretizados ao final do encontro, o Plano de Salvaguarda e a Eleição do Conselho Gestor, permitirão colocar o Estado de Mato Grosso do Sul junto às regiões pioneiras na salvaguarda da capoeira.

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