Neste mês de agosto o Sesc Morada dos Baís está com uma intensa programação, dentre elas o Sonora Brasil, com quatro noites de apresentações de cantos brasileiros, com entrada franca. As apresentações começam no dia 19 e seguem até o dia 22, sempre a partir das 20 horas.
Em sua 18ª edição, o Sonora Brasil vai circular o país com os temas Sonoros Ofícios - Cantos de Trabalho - e Violas Brasileiras. Com a participação de quatro grupos em cada tema, em 2015, o Sonoros Ofícios circula pelos estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. O Sonora Brasil tem como objetivo difundir expressões musicais identificadas com o desenvolvimento histórico da música no Brasil.
O primeiro grupo a se apresentar é o Ilumiara, formado por cinco músicos da cidade de Belo Horizonte (MG) e que que também atuam como pesquisadores. Será o único dos quatro grupos que não está relacionado a uma prática da tradição, mas pela contextualização histórico-social dos cantos de trabalho no Brasil. Sua apresentação levará ao público um repertório de cantos de trabalho recolhidos diretamente em suas fontes, ou a partir de registros de pesquisadores pioneiros como Mário de Andrade, Angélica Rezende e Ayres da Mata Machado.
Na quinta-feira, dia 20, o repertório das Cantadeiras do Sisal, da Bahia. São mulheres que trabalharam por muito tempo nas várias etapas de produção da fibra, desde o plantio até a fabricação dos produtos derivados, e que hoje são artesãs, ofício que aprenderam a partir de projetos desenvolvidos na região com o objetivo de criar alternativas de trabalho para as mulheres que desenvolviam atividades pesadas e mal remuneradas no ciclo de produção do sisal. São cantigas conhecidas desde a infância e outras de uma memória mais recente que tratam de questões cotidianas e fazem alusão a particularidades da produção sisaleira. O grupo é formado por Izabel, Alda, Ivamarcia, Carminha, Marisvalda e Cássia.
No dia 21 a apresentação fica por conta das Quebradeiras de Coco Babaçu, do Maranhão. É formado por oito mulheres que trabalham na quebra do coco babaçu desde a infância e hoje também exercem papel de liderança na defesa e valorização do trabalho das quebradeiras. A prática do canto durante a caminhada para os babaçuais e a quebra do coco é uma experiência que trazem desde a infância, quando acompanhavam mães e avós, na lida diária, época em que a criança participava ativamente no trabalho da agricultura na zona rural em diversas regiões do país. O repertório narrava fatos do cotidiano ou aludiam ao universo infantil através de cantigas de roda.
Encerrando as apresentações, no sábado, dia 22, as Destaladeiras de Fumo de Arapiraca e Mestre Nelson Rosa. O grupo é formado por cinco mulheres da região de Sítio Fernandes, município de Arapiraca, na zona rural do agreste alagoano, e Nelson Rosa, mestre de coco de roda reconhecido como patrimônio vivo do estado de Alagoas. O cultivo do fumo foi a principal atividade econômica por mais de cinco décadas em Arapiraca, as mulheres trabalhavam horas a fio sentadas no chão nos “salões de fumo”, destalando e selecionando as folhas ao som de cantigas entoadas para espantar o sono durante as madrugadas.
Serviço
O Sesc Morado dos Baís está localizado na Avenida Afonso Pena 5140, esquina com a Afonso Pena. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3311-4300.







