Ao longo do tempo o mundo corporativo tem se adaptado às pressões advindas das reestruturações econômicas necessárias a manutenção do sistema capitalista. As organizações buscam implantar tecnologias de ponta nos mais variados setores promovendo processos de mudança que envolvem, muitas vezes, toda a empresa. Tais mudanças trazem novos temas para os debates acadêmicos. Temáticas como flexibilidade nas relações de trabalho, inovação, motivação, ética empresarial e cidadania corporativa têm sido estudadas pelas várias ciências – sociologia, antropologia, ciência política, psicologia – que contribuem com a Administração contemporânea para uma releitura dos contextos organizacionais.
A empresa, atualmente, passa a ser vista como um organismo vivo e dinâmico, que ao mesmo tempo que se relaciona com o mundo externo (clientes, fornecedores, governo, comunidade), que a afetam profundamente, também vê comprometida por forças internas que muitas vezes são decisivas para o sucesso, ou não, das mudanças pretendidas.
Nesse contexto um dos elementos da empresa que está sendo reputado como de grande importância é a “cultura organizacional” que pode ser entendida como o conjunto de valores, crenças, mitos nos quais estão baseados os comportamentos das pessoas que convivem na empresa. Para José Calixto de Souza Pires e Katia Barbosa Macêdo, “a cultura organizacional é um conceito essencial à construção das estruturas organizacionais”. Para eles a cultura de uma organização será um conjunto de características que a diferencia em relação a qualquer outra.
Cada vez mais os cientistas sociais estão estudando e elaborando conceitos novos sobre a cultura organizacional. Dra. Célia Cristina Zago, na sua tese de doutorado “Modelo de Arquitetura da Cultural Organizacional”, afirma “que a cultura é conformada pelos modelos mentais coletivos que foram consolidados através da experiência e convivência comum dos membros de um grupo social em seu âmbito específico e que dão configuração para a sua interpretação e representação de identidade, e é expressa pelas atitudes e comportamentos dos mesmos, levando ao entendimento de que o comportamento social de um grupo ou comunidade é manifestação da sua cultura”. Temos, portanto, que entender a empresa como um ser coletivo que produz cultura e que reproduz princípios, valores, preconceitos construídos ao longo de sua história pela coletividade que a compõe.
Mudar a “cultura organizacional” de uma empresa demanda tempo, ações planejadas, envolvimento da equipe diretiva e competência profissional. Muitas técnicas e métodos estão disponíveis no mercado e podem ser utilizados por profissionais treinados e capacitados para esse fim.
Trabalhar na cultura organizacional de uma empresa pressupõe, necessariamente, trabalhar com gente – com pessoas. Investir na formação, desenvolvimento, retenção de talentos deve ser prioridade número um para toda e qualquer empresa que objetiva sua manutenção no mercado no curto, médio e longo prazo. Assim muitos são os programas que buscam alinhar, de maneira participativa, seus recursos humanos aos princípios e valores corporativos. Isso não é uma tarefa fácil por que estamos diante de relações sociais que acontecem numa base social construída historicamente, mas vale a pena apostar na mudança.
(*) Maria Clara S. de Rezende Valle é economista, especialista em Ciências Sociais, Mestre em Educação e professora do Curso de Gestão de Recursos Humanos e Administração da Estácio TV Morena - Campo Grande (MS).







