Enquanto muitos gastaram todo o 13º salário com as festas de fim de ano, há quem pensou no futuro, quitando dívidas antigas ou reservando uma verba para poder arcar com as contas e despensas típicas dos primeiros meses deste ano. Apesar das expectativas positivas de mercado, tudo indica que os consumidores estão mais cautelosos.
Para quem tem filho, o material escolar é uma das prioridades e o que mais preocupa a maioria. O perito de seguros, Roberto Mesquita, de 38 anos, contou que até mudou a filha de 11 anos de escola por conta disso, já que além da lista de materiais, ele tinha que bancar todo o conteúdo didático.
“Há escolas que apelam, hoje em dia, temos que nos atentar com as listas imensas. O lado bom é que consegui economizar, guardei meu 13° salário. É importante nos programarmos para não entrarmos no começo do ano com dívidas”, revelou Roberto, que estava pesquisando o melhor local para comprar materiais, no Centro da Capital.
Como a dona de casa Giseli Mansano de 46 anos já tem as três filhas “criadas”, sua atual preocupação é o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). “É muito difícil economizar e pagar todas as contas do início de ano. Ainda bem que não tenho que comprar mais material escolar”, comenta, rindo.

Por outro lado, a filha de Giseli, a vendedora de mochilas infantis, Klaesllenn Mansano, de 19 anos, comemora o aquecimento do mercado, nesta época. “Acho que já aumentaram as vendas nesta semana. Vai melhorar ainda mais no final de janeiro, já que as aulas iniciam no mês de fevereiro”, diz, pensando no próprio lucro.
Mesmo com as expectativas positivas, os lojistas acreditam que os consumidores estão menos eufóricos nas compras, em razão dos impostos, principalmente, por causa dos reajustes do IPTU (de 12,58%), combustível, tarifa de ônibus que passou para R$ 3 e entre outros produtos que sofreram inflação.

Apesar dessas despesas, Jorge Fernandes é proprietário de uma papelaria há 20 anos, localizada na Rua Dom Aquino e está otimista com o possível lucro. “As vendas já aumentaram cerca de 50% nessa semana e a estimativa é atingir 100%. Mas, apesar de ser produto de necessidade, o consumidor está mais cauteloso, pesquisam mais. As dívidas e impostos deixam as pessoas receosas e é claro, que influenciam nas compras”, revela.

Fora que os vendedores utilizam sempre um chamariz para convencer a população a comprar, mesmo sem ter condições. “Aqui a gente facilita, por exemplo, dividimos as compras em até 10 vezes sem juros. Tudo para atrair e equilibrar as contas, assim, as pessoas conseguem consumir”, destacou Jorge.







