Segundo os principais especialistas em clima do País, o Brasil poderia assistir uma migração massiva de cultivos e trabalhadores agrícolas de enormes faixas de terras atualmente aráveis para zonas mais temperadas, à medida que se sentem os efeitos do aquecimento global.
Hilton Silveira Pinto, veterano pesquisador brasileiro do clima, aponta a seca que está reduzindo a produção de grãos e café neste ano como um indicador de que a alta das temperaturas globais já poderia estar impactando nas safras do País.
"É um treino do que vem no futuro", disse Pinto, professor no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade de Campinas.
De acordo com um estudo feito por Pinto e outros autores, que analisa as tendências projetadas de aquecimento, mostra que a produção de soja no Brasil poderia cair até 24% e a de trigo, até 41% até 2020, pois a mudança do clima reduz as áreas onde os cultivos podem crescer.
A importância disso não é só problema do Brasil, já que o país está ajudando cada vez mais a alimentar o mundo. No ano passado, o país destronou os EUA como principal exportador de soja do mundo – vendeu 41,9 milhões de toneladas à Ásia, à Europa e ao Oriente Médio na última temporada – e lidera a produção mundial de açúcar e café há mais de um século. Também exporta mais carne bovina e suco de laranja do que qualquer outro país do planeta.







