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Economia

Comunidade Quilombola planeja microindústria leiteira em Figueirão

22 novembro 2015 - 15h00Por Assessoria

Com a finalidade de aumentar a produção da agricultura familiar, estimular a qualidade do leite e a renda das famílias quilombolas em Figueirão (MS), moradores e pequenos produtores se uniram em uma associação, e trabalham para a criação de uma microindústria para o beneficiamento do leite produzido. Com uma produção mensal de 120 mil litros, a Associação de Moradores e Produtores Rurais da Comunidade Quilombola de Santa Tereza (Amprust), planeja, juntamente com a Prefeitura Municipal de Figueirão, viabilizar já em 2016 uma microindústria leiteira, que manterá toda a produção no mercado local. O projeto foi divulgado nesta sexta-feira (20), durante o lançamento o Programa Produzir Mais, iniciativa do município para o desenvolvimento da agricultura familiar.

São 64 moradores e pequenos produtores rurais, de 28 propriedades, que integram a Amprust, que atualmente comercializa todo o leite produzido na comunidade para um laticínio de Camapuã. “Começamos há cerca de 13 anos, produzindo 25 mil litros de leite por mês, com nenhuma valorização. Atualmente o preço bruto do leite chega a R$ 0,90 o litro”, afirma o presidente da Associação, Carlos Adriano Cardoso Carneiro. “Existe uma série de fatores que podem valorizar nossa produção, desde uma avaliação própria da qualidade do leite, até o investimento em genética, como é o objetivo do Produzir Mais. Mas queremos mesmo relacionar esse investimento, com a criação de uma indústria, assim poderemos empacotar o leite e beneficiar nossa própria população”, destaca Carneiro.

Recentemente o presidente da associação quilombola encaminhou amostra da sua produção leiteira para laboratório no Paraná, e obteve resultados que surpreenderam, como as taxas de 3,30% de proteína e 3,43% de gordura, resultados suficientes para valorizar a produção atual em R$ 0,07 por litro. “Prezamos por qualidade em tudo que fazemos e temos muito potencial”, esclarece Carneiro, ao informar que além do leite, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a comunidade produz e, fornece à escola municipal de Figueirão, produtos como batata, hortaliças, abóbora, mandioca e outros.

De acordo com Prefeito de Figueirão, Rogério Rosalin, a capacidade da Associação e aptidão à agropecuária da região, estimularam o Programa que viabilizará a microindústria leiteira. “Inicialmente, por meio do Produzir Mais, vamos fornecer assistência técnica e genética. Com doação de sêmen sexado de touros das raças holandesa e girolando, o potencial de produção vai elevar, enquanto cuidamos das estratégias para viabilizar a indústria no município”, pontua Rosalin, esclarecendo a meta de cumprir com 200 protocolos de Inseminação Artificial por Tempo Fixo (IATF), até dezembro de 2015.

“O melhor deste Programa será a mensuração de resultados a partir de março do próximo ano. Com a aplicação de técnicas e incentivos à agricultura familiar, vamos monitorar o volume e a qualidade da produção, que contribuirá com nosso objetivo de tornar 60% da merenda escolar, originada nas pequenas propriedades, com selo orgânico”, enfatiza o prefeito.

Para o secretário municipal de Agricultura, Pecuária, Turismo e Meio Ambiente, Fernando Barbosa Martins, além da viabilidade do projeto de construção da microindústria leiteira, também será realidade, em breve, o beneficiamento da mandioca, cultura com alta produção e de fácil comercialização dentro e fora do município. “Criando a marca do leite e da mandioca do município, conseguimos expandir a mão-de-obra, renda dos produtores, a receita do município e ainda impactar na alimentação escolar saudável. Nosso objetivo é muito mais amplo quando se tratar de agronegócio, e participar de iniciativas como a da Associação Quilombola, além de prestígio, faz da cidade uma referência em empreendedorismo rural”, finaliza.