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Invasões provocam prejuízos na ordem de R$ 1 milhão a produtores rurais

6 NOV 2013
Aline Oliveira
17h57min
Fazenda Buriti. Antes e depois da invasão. Foto: divulgação

O prazo para que o governo federal resolva a questão das indenizações aos produtores rurais de Mato Grosso do Sul que tiveram as terras invadidas é 30 de novembro. O conflito se arrasta desde o primeiro semestre deste ano, com proprietários de diversas regiões do Estado amargando prejuízos financeiros, além do clima de insegurança e possibilidade iminente de novos enfrentamentos.

 

Um dos produtores que passa por esta situação é Ricardo Bacha, proprietário da Fazenda Buriti, no município de Sidrolândia ( 73km de Campo Grande). Ele afirma que desde a invasão ocorrida em maio deste ano contabiliza R$ 1 milhão de reais em prejuízos com perda de gado, maquinário, objetos pessoais dos empregados e equipamentos. "Perdemos 350 cabeças de gado e só conseguimos recuperar 40. Roubaram móveis e eletrodomésticos dos nossos funcionários, sem contar a destruição promovida na sede", relatou.

 

Bacha destacou ainda que na região onde possui a propriedade  a tensão só diminuiu após o acordo proposto pelo ministério da Justiça, porém, os produtores aguardam uma decisão definitiva, pois estão cansados de esperar. "Nós cumprimos nossa parte no acordo (o que não aconteceu com o movimento do indígena) e até o momento, a única ação objetiva do governo foi o levantamento das terras e benfeitorias das propriedades, nada mais",  criticou o produtor.

 

Outro produtor rural que possui terras na região é Vanth Vanni, proprietário de uma área com mil e duzentos hectares. Ele destaca que os prejuízos diretos contabilizados até o momento já atingiram a marca de R$ 1 milhão e reforça que há também prejuízos indiretos que vem aumentando com a demora em definir a situação.

 

"Meus prejuízos diretos ultrapassaram um milhão de reais, com roubo de gado, furtos na propriedade, transporte dos animais e o mais complicado, encontrar outra área para colocá-los. Os animais também sofrem bastante e já contamos 30 abortos de vacas PO, sem contar que perdemos a oportunidade de participar de um grande leilão anual", detalhou Vanni.

 

Segundo o produtor, ele e os demais proprietários estão esperando o prazo do governo no final de novembro para avaliar quais as medidas que irão tomar. "Não posso dizer ainda o que vamos fazer, mas do jeito que está não dá para continuar. Nós ganhamos a questão judicial na legalidade e o governo tem o poder e a caneta na mão para acabar com o conflito, então tem que arcar com as consequências que lhe competem", argumentou.

 

Um caso mais antigo e que resultou em prejuízo ainda mais grave foi o de Ademir Marques Rosa. Ele e o irmão tinham uma propriedade de 402 quilômetros no município de Dois Irmãos do Buriti (71 quilômetros da Capital) e trabalhavam no setor de hortifrutigranjeiros Há 10 anos se viram sem a terra e a fonte de renda para o sustento da família e funcionários.

 

"Um grupo de 200 pessoas invadiu nossas terras de forma agressiva e tiveram apoio da Funai. Nós e nossos funcionários (cerca de sete famílias) fomos obrigados a sair com a roupa do corpo e tivemos que recomeçar do zero. Hoje vivo na cidade e aguardo a decisão da Justiça, pois ganhamos nas duas primeiras instâncias", relatou.

 

Rosa confidenciou que atualmente mora na cidade e não tem interesse de voltar a atividade rural. "Espero sinceramente que o governo cumpra o que prometeu e no meu caso, que eu receba a indenização da terra perdida", finalizou.

 

Informações adicionais - Atualmente existem 17 propriedades invadidas entre os municípios de Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia em área que é pleiteada por índios da etnia Terena, por se tratar de reserva localizada na região. A intenção dos Terenas é ampliar a aldeia Buriti de 2.090 para 17 mil hectares, fato que contraria diretriz fixada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Fazenda Buriti. Antes e depois da invasão. Foto: divulgação
Fazenda Buriti. Antes e depois da invasão. Foto: divulgação
Fazenda Buriti. Antes e depois da invasão. Foto: divulgaçãoRicardo Bacha, produtor rural. Foto: Cléber Géllio

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