O deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB) condenou as explicações utilizadas pela Energisa, concessionária de energia elétrica que adquiriu o grupo Rede, para não se responsabilizar pelos escândalos do ‘mensalão da Enersul’. Segundo ele, a empresa manteve o esquema de corrupção.
“Aquela nota é ridícula. Eu não acuso a Energisa pelos atos da administração anterior, mas, a partir do momento que ela assumiu o controle de uma concessionária que presta um serviço estratégico para o desenvolvimento do Estado, não pode colher apenas o bônus. Tem que assumir a responsabilidade do ônus”, afirma.
Marquinhos é o autor do pedido para que seja instaurada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os supostos desvios de cerca de R$ 700 milhões. Ele argumenta que a Energisa não apenas tinha conhecimento sobre as folhas de pagamento secretas como também manteve a fraude. “A auditoria mostra que os saques saíram da conta da Enersul e não da Rede e ela (Energisa) não cessou as irregularidades”.
O relatório da PWC (Price Water House Coopers) revela que a Enersul mantinha uma folha de pagamento paralela, cuja denominação interna era “folha confidencial”. Os pagamentos eram realizados para 35 pessoas físicas ou jurídicas, sem observar as políticas de remuneração da empresa ou qualquer avaliação objetiva de cumprimento de metas ou desempenho, por “mera deliberalidade”.
Pela manhã, o deputado voltou a afirmar que não teve acesso à lista de beneficiários deste grupo, mas informações extraoficiais apontam envolvimento de políticos no esquema. A auditoria mostra também que a empresa mantinha um sistema denominado “gratificação extraordinária”, que repassava entre R$ 800 mil e R$ 2,5 milhões para ex-funcionários da Enersul como prêmio por “serviços prestados”. Leia mais aqui.
Em nota, a Energisa afirma que “os fatos apontados no relatório da PwC, divulgados ontem, não dizem respeito à atual administração, que assumiu a distribuidora em abril do ano passado e tem cumprido rigorosamente o que foi planejado no Plano de Recuperação para a empresa aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O mencionado relatório se refere a período até 2012, antes da intervenção federal da Aneel na concessionária”.







