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Economia

Etanol de 2ªgeração deve ser produzido comercialmente em 2014 no Brasil

Biocombustíveis

29 novembro 2013 - 19h44Por Aline Oliveira

Está prevista para 2014, a produção em escala comercial do etanol de segunda geração. As empresas responsáveis por disponibilizar o produto feito a partir de biocombustíveis serão a Raízen (joint venture entre Shell e Cosan) e a Granbio (família Gradin), com fábricas em construção e com previsã de começar a distribuir no ano que vem.

 

A nova tecnologia viabiliza no Brasil a produção de etanol de bagaço e palha de cana-de-açúcar, aproveitando resíduos das usinas que hoje fazem o etanol de primeira geração. "A tecnologia de segunda geração é a aposta da Raízen para a expansão em etanol. Com a tecnologia, poderemos produzir 50% mais litros a partir da mesma área plantada de cana e otimizar nossos ativos", disse o diretor de bioenergia e tecnologia da Raízen, João Alberto Abreu.

 

A Raízen tem 24 usinas no Brasil e é líder no mercado de etanol. A empresa pretende integrar unidades de produção do etanol de segunda geração em oito dessas usinas e extrair até 1 bilhão de litros do combustível. A primeira fábrica será em Piracicaba (SP) e terá investimento de R$ 230 milhões, com produção de 40 milhões de litros/ano. A inauguração está prevista para o segundo semestre de 2014.

 

Cenário - O etanol de segunda geração deve trazer uma nova onda de expansão no segmento, que perdeu competitividade nos últimos anos. Com a política do governo de controle de preços da gasolina, o etanol deixou de ser vantajoso para o proprietário de um carro flex na maioria das cidades. O setor pisou no freio e hoje cerca de 10% das 400 usinas de álcool estão fechadas no Brasil, segundo estimativas da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). "A política de subsídio da gasolina não se sustenta. Esse cenário vai mudar e o etanol voltará a ser competitivo na bomba", disse o vice-presidente executivo da Granbio, Alan Hiltner.

 

A Granbio está construindo uma fábrica de etanol de segunda geração no Alagoas, integrada a uma usina do Grupo Carlos Lyra. A unidade terá capacidade para produzir 82 milhões de litros por ano e deve ser inaugurada no primeiro trimestre de 2014. "A primeira unidade já será lucrativa e vamos produzir abaixo do custo do etanol comum", disse Hiltner. A empresa pretende investir R$ 4 bilhões até 2020, construir dez usinas de etanol de segunda geração e atingir uma capacidade de produção de 1 bilhão de litros de etanol por ano.

 

Tecnologia - O etanol de segunda geração pode ser feito a partir de um processo que transforma a celulose em glicose, usando enzimas especiais, seguidas por um processo de fermentação. Raízen e Granbio usarão enzimas da dinamarquesa Novozymes, que investirá US$ 300 milhões na construção de uma fábrica no Brasil em 2014.

 

O processo produtivo de Raízen e Granbio foi desenvolvido por parceiros estrangeiros e adaptado para a utilização de cana como matéria-prima. A Granbio é parceira da italiana Beta Renewables, que inaugurou sua fábrica em outubro e foi a primeira no mundo a produzir etanol de segunda geração em escala comercial. Já a Raízen traz a tecnologia da canadense Iogen, uma empresa que tem a Shell entre os acionistas e investiu US$ 500 milhões na tecnologia nos últimos 20 anos.

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