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Economia

Produtores rurais denunciam milícia disfarçada de indígenas

Conflitos indígenas

08 novembro 2013 - 18h00Por Aline Oliveira

A expectativa dos produtores pela definição do governo federal a respeito das indenizações das terras invadidas por indígenas é grande, já que muitos amargam prejuízos desde maio deste ano. O prazo dado pela União é 30 de novembro, quando serão divulgados os valores e a destinação de cada propriedade.

 

Uma das produtoras que aguarda o posicionamento oficial é Mônica Alves Correa Carvalho da Silva e a irmã, Miriam Alves Correa. Ambas são proprietárias de fazendas no município de Aquidauana e tiveram que deixar o local às pressas em 31 de maio quando houve a ocupação.

 

A somatória das duas propriedades é de nove mil hectares, que está na família há mais de 140 anos. Mônica teve a fazenda invadida e não pode retornar ao local faz seis meses. “Minha expectativa é de que o governo se imponha e assuma a responsabilidade que assumiu. O que tenho visto desde que saí da minha propriedade é que a situação está ‘correndo frouxa’, não há pulso para se cumprir a constituição. Esta propriedade é legítima, com toda documentação, então esperamos uma resposta no dia 30”, relatou.

 

Segundo a proprietária, na ocasião da invasão um grupo de 300 pessoas chegou ao local, armados, pressionando os moradores e fazendo muito barulho. “Eles chegaram mascarados, com óculos escuros e mostrando as armas. Temos certeza que alguns dos integrantes são conhecidos nossos e não são indígenas”, revelou.

 

A situação de Miriam Alves Correa, que tem a propriedade ao lado da irmã, é semelhante e ela reclama dos prejuízos. “Nós trabalhamos com gado para engorda, tivemos 150 cabeças roubadas e só não levaram os equipamentos porque conseguimos retirar. Na época tivemos que vender alguns animais em situação emergencial e acabamos no prejuízo, pois vendemos bem abaixo do preço”, reclamou.

 

O vice-presidente da Acrissul, Jonatan Barbosa aproveitou a oportunidade para informar uma conversa que teve com o senador Rubens Figueiró, horas antes da reunião na Acrissul ter início. “Venho comunicar a voces que o senador me relatou a reunião com a presidente da Funai, Maria Augusta Assirati e revelou sua indignação. Ela não sabia nem que o prazo do governo federal era 30 de novembro e a partir daí nem respondia mais os questionamentos. A boa notícia é que a bancada de Mato Grosso do Sul, com os senadores Waldemir Moka, Delcídio do Amaral, além do Figueiró estão dispostos a apoiar nossa situação”, comentou.

 

Jonatan afirmou que se as consequências após a data limite forem ruíns, a culpa será exclusivamente do governo federal. “Se acontecer alguma tragédia pela omissão ou falta de solução e acontecer derramamento de sangue, a culpa será exclusiva do ministro José Eduardo Cardoso e da Funai”, argumentou o representante da Acrissul.

 

Para o produtor Ricardo Bacha a posição de que o governo não conseguirá resolver o pagamento das indenizações das terras não é novidade, pois, além do prazo ter sido muito curto, várias promessas foram feitas anteriormente e não se cumpriram. “Cumprimos nossa parte do acordo e os índios não, continuando a invadir propriedades legítimas. Nós temos que nos unir e cobrar, já que o governo não age, só reage, nós é que temos de agir”, ponderou.

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