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Mercado da Construção Civil sofre com falta de profissionais qualificados

Construção Civil

10 DEZ 2013
Aline Oliveira
18h27min
Foto:Geovanni Gomes

O Sinduscon-SP divulgou no mês passado, que a construção civil crescerá no máximo 2,8% em 2014. O percentual é tímido, mas irá superar a previsão do PIB (Produto Interno Bruto) que foi estimado em 2%. O estado com maior destaque é São Paulo que de janeiro a outubro deste ano registrou 24,1% na construção de imóveis.

 

Um dos motivos para a estagnação do setor são os valores pedidos pelos imóveis que aumentaram quase 14%, mais que o dobro da taxa oficial da inflação. Os números devem refletir no crescimento dos estoques de imóveis prontos, fator que obriga as construtoras a oferecer condições competitivas, descontos e facilidades no financiamento.

 

Em Mato Grosso do Sul, a situação é de estagnação, porém, os profissionais do setor reclamam também da falta de mão de obra qualificada e migração dos bons trabalhadores para os grandes centros, em função das obras em andamento para a Copa do Mundo do ano que vem.

 

De acordo com Ronnie Marinho, gestor da construtora RM Marinho em Campo Grande, de 2012 para 2013 foi sentido um impacto negativo no número de compras pelo consumidor final e nos projetos de novas construções. “O atual momento econômico gera insegurança em face das mudanças econômicas que vem surgindo e os empresários que trabalham com o programa Minha Casa Minha Vida têm recebido maior incentivo. Não sou contra, mas acredito que os empresários que trabalham com recursos próprios, sem utilizar empréstimos como eu deveriam ter mais estímulos do governo”, alegou.

 

Marinho comenta que viaja bastante para outros Estados e países e comparou a situação com o mercado local. “Conheço vários estados e recentemente estive na China. Percebi que o crescimento nestes locais é proveniente dos incentivos e estabilidade financeira do poder público. Em outros continentes existe facilidade para se iniciar uma obra, porém aqui no Brasil tudo é burocrático e demorado”, relatou.

 

Na opinião do empresário que atua há 20 anos na área, Campo Grande sempre teve problemas com liberação de alvarás e habite-se, porém a situação piorou na atual administração. “Sempre tivemos problemas com alvarás, porém desde o início do ano, a situação complicou. Uma obra como a que estamos construindo, um condomínio com 12 casas, enfrenta demora de um ano para conseguir a autorização municipal”, criticou.

 

Dificuldade de mão de obra – Outro fator que influencia no prazo de conclusão de um empreendimento é a falta de mão de obra qualificada, já que existe um vácuo entre o término de uma construção e o início de outra, dispersando os profissionais que migram para outro projeto. O mestre de obras, Paulo Pedroso, com experiência de 40 anos no setor explica que para se executar uma obra com qualidade é necessário ter um sistema de trabalho próprio e os funcionários precisam se adequar, para que não haja erros ou perda de material.

 

“Nós procuramos por profissionais que saibam trabalhar, porém identificamos que muitos só sabem fazer o básico. Por exemplo, colocadores de porcelanato e acabamentos finos são nossa maior demanda. A maioria quer trabalhar por empreita, em função de conseguir mais trabalho e acabam por deixar o serviço a desejar. Aqui na construtora não aceitamos este tipo de trabalho e preferimos interromper um serviço mal-feito do que entregar uma obra com falhas”, revelou.

 

Na opinião do profissional é preciso que as entidades do setor invistam em cursos de qualificação profissional, já que existe muitos trabalhadores que desejam aperfeiçoar o trabalho. “Converso com muitos trabalhadores que são interessados e tem boa vontade. No entanto, só boa vontade não adianta, é preciso ter treinamento e conhecer a fundo o trabalho que se desenvolve”.

Foto:Geovanni Gomes
Foto:Geovanni Gomes
Foto:Geovanni Gomes

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