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Entrevistas

Especialista dá dicas para quem quer viajar e escapar do dólar caro

27 novembro 2015 - 09h03Por Amanda Amaral

Para o brasileiro que tem o costume de viajar todo ano ou para quem aguardava o momento de conhecer aquele destino dos sonhos, o momento da economia assusta, com o dólar a R$ 3,76 (conforme a cotação de fechamento da moeda em 26 de novembro). Com o objetivo de tirar algumas dúvidas de quem não quer abrir mão de fazer as malas e ‘cair no mundo’ – ou quase isso – o TopMídiaNews conversou com Kassilene Vieira Cardadeiro, especialista no assunto.

Kassilene  trabalha há anos com o setor de viagens e é diretora da Abav-MS (Associação Brasileira de Agências de Viagens do Mato Grosso do Sul),foi fundada em 1985 tem 50 associados no Estado e integra o Sistema Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), fundada em 1953, que representa a classe empresarial das agências de viagens e turismo filiadas.

TopMídiaNewsHá muitas pessoas que chegam às agências com uma ideia de viajar pro exterior e acabam desistindo, com medo de gastar demais?

Eu costumo dizer que o brasileiro não vai deixar de viajar, tudo vai depender do orçamento que ele tem. Geralmente, a pessoa chega com o questionamento “ah, tenho R$ 3 mil pra viajar, pra onde eu consigo ir?”. Essa questão do dólar estar mais caro, não é só o custo da viagem, mas, principalmente na América no Norte, as pessoas vão pra comprar, consumir. Uma vez que o câmbio está mais alto, não basta ir apenas porque as passagens estão mais baratas. Aí as pessoas pesam as prioridades e escolhem o destino que mais cabe nos planos.

TopMídiaNewsQuais lugares, dentro do país, têm sido mais procurados?

As praias do nordeste são os locais preferidos, como não temos litoral no Estado a busca por lá é bem grande, sempre foi. Mas a serra gaúcha tem despertado interesse porque é bem diferente também, tem o friozinho, o charme. Os cruzeiros em navios também chamam a atenção, algumas operadoras inclusive congelam o câmbio para tornar a opção mais atrativa. Geralmente são famílias e casais que procuram por esses destinos.

TopMídiaNewsComo funciona o esquema do ‘câmbio congelado’?

Na verdade, na questão dos navios, por exemplo, quando a companhia organiza os cruzeiros os custos já estão pagos há muito tempo. Geralmente, a compra foi enquanto o dólar ainda estava bem mais baixo, por isso não há prejuízo em vender os pacotes por um valor mais em conta.

TopMídiaNewsQuais as principais dúvidas de quem não sabe para onde ir, mas que quer investir na viagem?

Depende muito do perfil do cliente, se ele já viajou antes ou não. A gente vê muita gente confusa por ter referências apenas de viagens de amigos ou colegas, mas será que a dica do amigo vale pra você? O importante é dar valor ao que você quer fazer, às suas expectativas.

TopMídiaNewsE os países vizinhos? Está valendo a pena ir para lugares da América do Sul?

Está valendo a pena sim, apesar dos pacotes serem vendidos em dólar, a maioria dos países tem a moeda oficial desvalorizada em comparação ao real. Claro que quando o dólar estava mais barato compensava ainda mais, mas destinos como o Peru, Argentina, ainda dá pra ter um serviço bom pagando menos.

TopMídiaNewsCom serviços cada vez mais populares na internet, como a hospedagem pelo AirBnb, guias e blogs de viagem com inúmeras dicas de viagem, isso tem influído na procura pelas agências e pacotes prontos?

Hoje em dia você tem mais acesso à informação, antigamente não dava pra fazer uma viagem internacional sem a ajuda de uma agência. Isso força as agências a se especializarem, mas não acho que esse tipo de trabalho vá acabar, mas quem não oferecer um ‘algo a mais’ é prejudicado sim. A agência tem profissionais capacitados para dar essa assessoria, fazemos visitas técnicas nos locais, avaliamos. Quem busca a agência preza mais pelo conforto e segurança.

TopMídiaNewsComo costuma ser o planejamento de quem quer viajar?

Muita gente acaba se programando de última hora, mesmo sabendo que tudo com antecedência resulta em oportunidades melhores.  Só que tem as promoções, às vezes a pessoa compra a passagem e só depois vê como vai fazer pra ir. Ainda assim, eu acho que a melhor opção é se programar.

TopMídiaNewsE a pessoa que quer viajar no fim do ano e início do próximo?  Dá tempo de se planejar?

A dica é que a pessoa procure a agência de viagens de sua cidade, preferencialmente às associadas à Abav, que são estabelecimentos que cumprem diversas exigências importantes. Outra dica é: não deixe de viajar! Sempre tem um destino que cabe no seu bolso, basta conversar com um agente ou pesquisar bastante.

Quem não conseguir se organizar ou preferir ir com mais calma, os períodos mais tranquilos pra viajar são depois do final de janeiro, depois do carnaval. Março, abril e maio já fica em baixa temporada e os valores são mais em conta.

TopMídiaNewsComo as agências estão sendo afetadas por esse momento da economia?

A gente tem dois polos aqui no Mato Grosso do Sul, vamos dizer assim. Um desses polos é a questão do receptivo, tem várias agências que trabalham com isso, atendendo principalmente a parte de Bonito e Pantanal. Nesse segmento, a gente tem uma melhora muito boa com o aumento do dólar, ele aumenta diretamente nosso movimento aqui, não só de estrangeiros, mas porque o brasileiro deixa de ir pra fora pra conhecer dentro do Brasil mesmo.

Do mercado geral, que é o trabalho das agências que a gente chama de emissivas, que focam em outros destinos, houve sim uma diminuição da busca por lugares em que se gasta em dólar ou em euro. A gente vê que as pessoas estão procurando muito mais o Brasil, o nordeste, as serras gaúchas, do que viagens para os Estados Unidos ou a Europa.

TopMídiaNewsQuais são as dicas que vocês costumam dar aos donos de agências?

Conversando com os associados, percebemos que há quem aumentou o lucro e quem está na correria para não fechar o ano com faturamento menor. Só que é aquilo: temos que procurar os nichos, ser criativos, observar o perfil do cliente. Eu tenho uma empresa que agencia viagens há treze anos. Na minha agência eu não posso reclamar, a gente tem aumentado o nosso faturamento.

Bonito, por exemplo, é beneficiado por receber, em maioria, quem tem um poder aquisitivo maior, há famílias que deixam de ir pra Disney para ir à cidade. Se a pessoa está com o orçamento muito apertado ela tende a priorizar outros gastos, mas quem viaja pelo Brasil também é bem exigente.

Outro exemplo disso é o crescimento do mercado de eventos dentro do Brasil, muitas empresas multinacionais têm escolhido praticamente somente destinos nacionais para essas agendas.

TopMídiaNewsQual a previsão do setor para 2016?

Não temos uma previsão, até porque a dúvida paira em quase todos os setores do país. Eu sou muito otimista, acho que temos que encarar esse momento difícil como uma oportunidade de mudar. No mercado receptivo, um fato interessante é o acontecimento das Olimpíadas, que deve ter muita demanda internacional, tanto de turistas como da imprensa. 

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