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Entrevistas

Fotografia e arquitetura: o olhar por trás das capas de revista

Com 15 anos de carreira, Denilson Machado é um dos principais fotógrafos do segmento no país

23 agosto 2016 - 08h08Por Amanda Amaral

Com um currículo extenso, Denilson Machado trabalha há 15 anos como fotógrafo de projetos arquitetônicos e de design e é famoso por colocar um olhar mais artístico sobre registros, transformando-os em verdadeiras obras de arte. Em Campo Grande para fotografar a CASA COR Mato Grosso do Sul, mostra com ambientes assinados por mais de 40 profissionais em um dos casarões mais icônicos da Avenida Afonso Pena, o carioca conversou com o TopMídiaNews sobre sua trajetória.

Referência no segmento, o fotógrafo fundou o MCA Estúdio e o livro ARQTE, além de colecionar capas de revista sobre arquitetura e decoração. A mostra acontece entre os dias 26 de agosto a 9 de outubro na Capital, mas a entrevista já pode ser conferida abaixo:

Como você começou na fotografia e como foi parar nesse ‘mundo’ da arquitetura?

Coincidentemente, vim hoje no avião – não consigo dormir no avião, mesmo com sono – pensando sobre os textos de um livro que estou fazendo para comemorar meus quinze anos de carreira na fotografia. São fotos autorais, que, aliás, vou vir lançar em Campo Grande, fiz uma promessa. Eu estava escrevendo o texto de apresentação, pensando como é que começou tudo isso... Eu costumo falar que não me dei conta como começou. A fotografia sempre foi uma paixão minha. Comecei muito tarde, na verdade, não estudei e talvez por isso mesmo eu tenha o meu próprio olhar.

Estudei, fui trabalhar como comerciante, abri negócio, mas não era feliz naquilo que eu fazia. Quando comecei a fotografar, já comecei com arquitetura, não escolhi, foi ela que me escolheu. Comecei trabalhando para amigos, aí foram me indicando para outras pessoas. Isso é muito interessante de lembrar e escrever, coisa que gosto muito, meu trabalho também tem muito a ver com a palavra. Comecei em filme, migrei só em 2003 pra digital, que hoje é minha forma de trabalhar.

Você tinha a fotografia como hobby? Qual era sua relação com as câmeras antes de fazer delas instrumentos de profissão?

Tenho lembranças antigas de eu pedindo uma câmera fotográfica de natal e não ganhei (risos). Então tive por muito tempo esse sonho de ser fotógrafo, mas aí trabalhei para comprar a minha. Aí no início você fica sem saber o que fazer, pra onde ir como profissional, mas fui direto em arquitetura. Hoje não faço nada que não seja relacionado a esse tipo de foto.

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Projeto André Piva. Foto: Denilson Machado - MCA Estudio

Nesses quinze anos, seu olhar sobre design e arquitetura deve ter ficado mais aguçado. Você leva essas inspirações pra vida, pra sua casa, por exemplo?

Realmente, comecei a gostar muito de saber sobre. Agora, por exemplo, como me divido entre Rio e Niterói, que quem vai fazer esse projeto é o Guilherme Torres, um arquiteto que é um grande nome. Mas eu já sei praticamente tudo o que eu quero, eu adoro muito isso, escolher as coisas, gosto de dar ideias e opiniões.

Sobre o seu livro x a intenção é mostrar para os arquitetos o potencial de um ambiente ‘fotografável’ para vender a ideia do projeto, incentivar esse meio na fotografia, ou ambas as coisas?

Passei a fazer agora de dois em dois anos, porque é loucura fazer em um ano, não dava mais. Eu fiz oito capas de revista esse ano, mas não trabalho pra nenhuma especificamente. Então, muitas vezes não fico satisfeito com o que é publicado, porque modificam as imagens que você ficou um tempo pensando na composição. A minha ideia de fazer o livro foi por dois motivos principais: primeiro porque eu sou apaixonado por livros, a minha mesa de centro tem uma pilha! Segundo, porque eu queria mostrar a minha ótima sobre a arquitetura de interiores, sem interferência de um designer, sem a visão comercial.

Agora com esse novo livro, que acho que é o mais incrível que eu já fiz, que se chama ‘Não me obrigue a fazer sentido’, são fotos mais artísticas, sem uma função didática. Diferente do que eu geralmente faço, que é pro leitor olhar e já entender o projeto.

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Você consegue perceber uma mudança na percepção do designer, arquiteto e decorador sobre a importância de se pensar em como o ambiente vai sair na foto?

Sim, muito. Tem arquitetos que conheço que já fazem o projeto pensando na foto, já tem isso. A arquitetura mudou muito nesses anos. Estou extremamente curioso pra saber como é a arquitetura de interiores em Campo Grande, por exemplo, porque há muita diferença de região para região.

Os arquitetos hoje confiam muito em mim, porque o que a gente vê na câmera ou a olho nu não vai ser o que vai sair na foto. Então eu tenho essa liberdade, também tenho uma equipe muito boa trabalhando comigo.

Você é ligado em aplicativos como o Instagram? O que acha dessa ferramenta, que popularizou tanto a fotografia?

Eu até tenho uma conta, mas não consigo fazer as fotos que gostaria com um celular, sou do século passado (risos).  Acho que as pessoas têm apurado mais sua visão sobre as fotos, já que ter uma câmera à mão é tão acessível hoje, mas isso tem dois lados. Ao mesmo tempo em que traz à tona ótimos fotógrafos amadores, banalizou ainda mais a fotografia. Todo mundo acha que é fotógrafo, o olhar fica saturado. Mas é válido, é interessante que haja essa transição.

Como funciona esse ramo da fotografia de arquitetura? Para quem tem interesse em começar nesse mercado, quais são os primeiros passos indicáveis?

É preciso ter comprometimento, em primeiro lugar. Além de você ser um bom fotógrafo, você tem que ter uma postura profissional. O comércio me ajudou muito em entender isso, vejo que falta muito isso hoje em dia, o profissionalismo. Não importa muito a câmera, se você tem interesse, falo por mim mesmo, nunca estudei fotografia nem arquitetura, mas corri muito atrás. Quero muito em breve dar palestras e workshops, acho legal ensinar o que você sabe para os outros.

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