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Promessa de forte liderança política, Pedro Pedrossian Neto traça panorama de MS

Conjuntura Política

30 JAN 2014
Vanessa Ricarte
15h00min
Pedro Pedrossian Neto. Foto: Geovanni Gomes

O sobrenome é amplamente conhecido no estado - Pedrossian. Contudo, desponta da família com forte histórico de liderança política para o estado, Pedro Pedrossian Neto. O economista formado na PUC/SP já tem vasto currículo com apenas 32 anos de idade. Na bagagem, consta a sua atuação junto à coordenação da área de negociações internacionais na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).


Lá, participou da rodada Doha, promovida pela OMC (Organização Mundial do Comércio) na parte de relações econômicas do Brasil e Mercosul como membro do governo no setor privado a fim de tornar rarefeitas as barreiras comerciais entre os blocos econômicos. Foi a Genebra diversas vezes como membro da FIESP e criou uma área de estudos econômicos internacionais dentro da instituição. Agora de volta a Campo Grande, Pedrossian Neto, recém-filiado ao PSDB, acredita ter alcançado a maturidade para desenvolver projetos voltados a MS. Veja a primeira parte da entrevista:


TopMídia News - Buscando pelas origens, você é neto de uma das figuras públicas mais importantes de Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian. Você se lembra, enquanto criança, desse período em que o seu avô era governador do estado?


Pedro Pedrossian Neto - Sim, o último governo dele foi entre 1990 e 1994. Em 94, estava saindo de Campo Grande para estudar em São Paulo, no início da minha adolescência. Eu necessariamente não entendia ou vivia aquele momento político por causa da idade. Mas a minha formação toda foi voltada para a consciência de que a minha família estava inserida num contexto político. Mas meu avô definitivamente é uma grande influência para mim.

Primeiro pelo nome: eu tenho o mesmo que ele. É uma grande honra e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade. Tudo que eu faço sempre está relacionado à figura dele. De certa maneira, foi bom eu ter saído de Campo Grande para que eu criasse a minha história. Lá, eu pude crescer e vi que eu tinha um espaço meu com RG e CPF próprio. 

TopMídia News - Em São Paulo, durante os anos de estudo e trabalho, você acha que tinha uma maior mobilidade e independência, até por conta de não precisar arrastar o peso do seu sobrenome?


Pedro Pedrossian Neto - Ah sim, com certeza. Lá o sobrenome Pedrossian é desconhecido e aqui todos perguntam sobre o meu avô. Quando eu voltei há cerca de um ano e meio, vim com a segurança de que eu sei que tenho experiência própria e vou além do sobrenome. É uma grande honra carregar o sobrenome, mas eu posso fazer coisas além dele, pois se continuasse a morar aqui, talvez ficaria restrito apenas ao que o peso que ele me proporcionaria.

TopMídia News - Pedro Pedrossian foi governador de Mato Grosso e posteriormente, governador de Mato Grosso do Sul por duas vezes. Segundo a sua visão, quais foram as grandes contribuições em relação à figura política do seu avô?


Pedro Pedrossian Neto - Eu acredito que meu avô deu uma contribuição substancial para o nosso estado. Primeiro porque ele foi governador do Mato Grosso uno, que na verdade era um "continente" e nesse primeiro governo, ele realizou diversos acertos estruturais para dotar o estado de uma infraestrutura mínima para operar.

Você imagina que aquele estado possuía diversos biomas - desde o amazônico até o pantanal, passando pelo cerrado, etc. E para Mato Grosso do Sul, ele começa como sendo um dos artífices da criação do estado, um dos idealizadores do projeto, uma das pessoas que tiveram coragem de romper o statos quo e assumir a responsabilidade de levar adiante o processo de divisão. Ele teve que negociar muito com diversas lideranças, comprou a briga e efetivamente trabalhou diretamente na divisão do estado.

 

TopMídia News - Você acredita que só após a sua gestão a frente do grande MT é que posteriormente Pedrossian sentiu na pele a real necessidade da divisão do estado?


Sim, pois se partirmos do pressuposto de como um governador poderia atender adequadamente as necessidades de cada cidade de um estado daquele tamanho. O prefeito ou a localidade que estava muito ao norte ou muito ao sul se sentia desatendido. Ele percebeu que a divisão do estado seria uma consequência natural.

Pedro Pedrossian resgata um espírito da identidade do sul-mato-grossense que era um sonho antigo das cidades do sul. E obviamente, quando se faz isso existem todos os desafios de criar um novo estado.

Aqui mesmo na Capital - quando foi criado o Parque dos Poderes, se dizia que era uma obra faraônica, megalomaníaca. Hoje se percebe que era do tamanho que o estado queria ser. O centro de Campo Grande ficou desafogado com o deslocamento dos poderes. Com o trânsito do jeito que está, imagine se o parque não existisse?

Outro exemplo é o Parque das Nações Indígenas onde também se falava que era muito grande, que não havia necessidade dele, mas hoje é o orgulho do campo-grandense. O Parque dos Poderes juntamente com o Parque das Nações Indígenas é praticamente o tamanho do Central Park, em Nova Iorque. O Hospital Regional, UFMS, UEMS também foram criados durante os seus mandatos. São poucas pessoas que podem dizer "eu criei universidades". Eu acho que essas são ações que ficam além das administrações e acabam se tornando atemporais. 

TopMídia News - Partindo do pressuposto do seu histórico político-familiar, bem como a sua experiência como economista, quais são as expectativas em relação a uma possível candidatura?


Pedro Pedrossian Neto - Eu entrei no PSDB há cerca de 5 meses a convite do Reinaldo Azambuja. Tivemos uma grande afinidade de ideias já que entrei no partido pela figura do Reinaldo, pelo projeto que ele representa e o que representa.

Entrei no projeto "Pensando Mato Grosso do Sul", liderado pelo PSDB, mas com um caráter suprapartidário, com o intuito de estudar o MS, olhar as realidades das diversas regiões e das diversas classes sociais, pois é necessário recortar o MS de diversas perspectivas e elaborar um plano de ação, tanto para um próximo governo ou mesmo para o senado. De qualquer forma, fica como uma agenda que fica para nortear a ação do homem público e para a sociedade.

Eu sou um dos nomes à disposição do partido para diversas iniciativas, Não tenho nada definido, mas ninguém é candidato de si mesmo, é preciso haver o apoio da sociedade. Hoje em dia, muitos procuram ser políticos para depois encontrar uma causa, o que deveria justamente ser o contrário: é preciso ter uma causa para poder ser político. 

*Confira a segunda parte da entrevista com Pedro Pedrossian Neto neste domingo, 02/02.