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Camara Maio

Para estudar, jovem deixava até de comer e hoje realizou o sonho de ser dentista

Karine relembra dificuldades que enfrentou para fazer o curso dos sonhos e alcançar o sucesso na carreira

24 OUT 2016
Dany Nascimento
14h03min
Realizada, a dentista hoje trabalha para 4 clínicas Foto: André de Abreu

"Nunca deixe que digam que não vale a pena acreditar nos sonhos que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém. Quem acredita sempre alcança"...

A letra musical citada acima, composta por Renato Russo em parceria com Flávio Venturini, define a história de Karine Bitencourt Brandão, que enfrentou diversas dificuldades, mas sempre acreditou que alcançaria o sonho de se tornar dentista.

O dia a dia daquela estudante do 2º ano da escola estadual Arlindo de Andrade Gomes, que buscou ajuda no Instituto Luther King era de extrema dificuldade, já que a estudante enfrentava dificuldades financeiras e raramente conseguia almoçar antes de se dividir entre os estudos.

A primeira tentativa de passar para Odontologia não deu certo e Karine acabou prestando vestibular para Zootecnia. Mas como o curso estava distante do que a jovem realmente almejava, a faculdade de Zootecnia durou apenas três semestres, até a tão sonhada aprovação no Curso de Odontologia.

Confira abaixo a entrevista completa com a estudante que se tornou doutora na Capital:

TopMídiaNews: Como nasceu o sonho de cursar odontologia?

Karine: Minha mãe sempre conta que, desde criança, eu sempre falava que queria ser dentista, defendia isso desde a infância. Eu era pequena quando minha família veio embora para Corumbá, morávamos no Rio de Janeiro, meu pai conseguiu um emprego muito bom e viemos embora. Quando eu estava no 2º ano do Ensino Médio, meu pai perdeu o emprego e viemos morar em Campo Grande.

As coisas estavam difíceis para minha família. Eu comecei a estudar em escola pública, cheguei na escola no dia de uma prova de matemática, fiquei com receio porque era meu primeiro dia de aula e, de cara, tinha uma prova de matemática, fiz a prova e tirei dez. Naquele momento, eu comecei a perceber a diferença entre escola pública e escola particular, porque todo o conteúdo da prova que fiz, eu tinha estudado no 1º ano e, por isso, consegui tirar nota máxima na prova.

 

TopMídiaNews: Em meio à turbulência, qual saída você encontrou para continuar o ritmo de estudos?

Karine: Eu vi uma propaganda do Luther King na escola em que eu estudava, fui no instituto e consegui me escrever na primeira turma. Com a ajuda do Instituto, continuei o ritmo de estudos e passei na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para Zootecnia. Tinha tentado vestibular para odontologia, mas não consegui e acabei entrando na zootecnia. Me dividia em 2014, entre a faculdade e o cursinho. Eu ficava o dia todo na faculdade, muitas vezes conseguia comer com a ajuda dos colegas porque não tinha dinheiro para almoçar todos os dias. 

Então contei com a ajuda dos colegas e, à noite, eu ia para o Instituto, que dava lanche e eu conseguia comer e assistir a aula. Eu tinha apenas dois passes, então com um eu ia de ônibus para a faculdade, de lá ia andando até a Fernando Corrêa, onde fica o instituto, e de lá, conseguia ir embora com o outro passe que tinha. Emagreci bastante nessa época, porque deixava de almoçar e fazia uma longa caminhada. Fiquei até o final do ano assim, passei em todas as matérias direto.

TopMídiaNews: Quando percebeu que não dava para continuar no curso de zootecnia?

Karine: Graças ao pessoal do Instituto, que me levou para ver como era feito o trabalho das pessoas que trabalhavam com zootecnia, eu percebi que não queria, mas precisava continuar estudando para alcançar o que realmente eu desejava, que era a odontologia. Passei em todas as matérias de zootecnia, tranquei a faculdade e continuei no cursinho do Instituto. Um dos fundadores do Instituto, doutor Aleixo me ajudou muito a ter certeza de que eu não queria zootecnia, eles me ajudaram muito.

Quando sai da faculdade, eu comecei a trabalhar em uma loja no shopping,  fiquei um mês e saí porque queria estudar para o vestibular, queria focar nisso. Meu pai já estava empregado, a condição estava melhor um pouco, eu precisava estudar e saí do emprego.  Eu entrei no instituto novamente e, como sempre tinha simulado no instituto e eu conseguia ficar como primeira ou segunda colocada, conseguia cursinho paralelo pago.

Assim, eu ganhei o cursinho de português, literatura e redação, que é um curso bem caro e eu ganhei seis meses de cursinho, comecei a fazer. Depois ganhei outro curso de matemática, química e física e o dono de lá me ofereceu um emprego de meio período. Eu estudava de manhã, trabalhava como secretária à tarde e, à noite, ia para o Instituto. Fiquei fazendo isso durante um ano.

TopMídiaNews: Quando conseguiu alcançar o sonho de começar a cursar odontologia?

Karine: Entrei odontologia em 2008, foi um curso tranquilo, só tinha dificuldades de comprar os materiais. Não tinha muita dificuldade com as matérias porque fazia o que sempre sonhei. Quando terminei a faculdade, em dezembro de 2011, comecei a trabalhar em uma clínica e hoje eu trabalho em quatro clínicas. Me especializei em Periodontia e sonho em montar meu próprio consultório.

TopMídiaNews: Como sua família reagiu ao te ver formada no que sempre sonhou?

Karine: Eu participei da colação de grau, acabei não participando da formatura e meus pais ficaram muito orgulhosos. Minha mãe chorou na missa, fez uma faixa pra mim, ficou orgulhosa. Meu pai também disse que estava orgulhoso porque eu consegui alcançar o que queria, foi tudo muito emocionante e, hoje, eu consigo fazer o que amo de verdade.