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segunda, 17 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
Entrevistas

PM imerso no mundo da literatura escreve sobre temas complexos modernos

16 outubro 2015 - 17h12Por Amanda Amaral

Cientista Social por formação, Policial Militar por opção e escritor por vocação, Rogério Fernandes Lemes é membro da Academia Douradense de Letras, da Academia de Letras do Brasil/Seccional MS, e um dos fundadores da Associação dos Cordelistas de Mato Grosso do Sul (Acoms). Natural de Amambai e morador der Dourados, acaba de lançar o livro “Subjetividade na Pós-modernidade”, que antes mesmo de seu lançamento já bateu a marca dos 500 exemplares vendidos, para leitores espalhados em 10 estados brasileiros e em apenas duas semanas. 

O livro, publicado pela Editora Life, apresenta a visão do autor para fatos cotidianos e temas polêmicos na sociedade contemporânea, em crônicas escritas ao longo de quatro anos.

Influenciado por sociólogos como Zygmunt Bauman e Norbert Elias, Rogério, que é bacharel em Ciências Sociais pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), pretende utilizar seu conhecimento científico em textos de escrita simples, mas que tem o ‘poder’ de fazer pensar.

TopMídiaNewsGostaria que nos contasse um pouco sobre sua história: de onde vem, idade, formação, carreira...

Sou nascido em Amambai, MS, tenho 39 anos de idade, sou formado em ciências sociais pela Universidade Federal da Grande Dourados. Fui admitido nas fileiras da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul em setembro de 2004.

TopMídiaNewsDe onde vem esse interesse pela literatura, trabalho que pode ser considerado bem diferente da rotina de policial militar (suponho)?

Quando cheguei a Dourados, em 2004 por conta do concurso da PMMS, tive contato com escritores da Academia Douradense de Letras. Daí o interesse pela literatura. Comecei a escrever alguns poemas e, depois, artigos de opinião. Em 2013 lancei meu primeiro livro chamado Amambai com Poesia e dois folhetos de cordel. A faculdade de ciências sociais também contribuiu para o exercício do pensar e do escrever, assim como as atividades policiais.

 

TopMídiaNewsQue questões são abordadas no seu novo livro e a quem ele é ‘direcionado’?

O livro Subjetividade na Pós-modernidade é a reunião de textos analíticos do cotidiano, como o fenômeno da violência, do abuso de drogas, as questões de gênero, política, segurança pública, descriminalização da cannabis sativa, todos esses temas tratados a partir dos olhares da sociologia, da antropologia e da ciência política.

TopMídiaNewsHá temas complexos – como a descriminalização da maconha; a violência; o racismo; a homofobia - por que decidiu escrever sobre essas questões e como elas são tratadas na obra?

Acredito que a escolha desses temas é de interesse da sociologia ou das ciências sociais, bem como do próprio autor enquanto indivíduo social. Todos os textos que compõem este segundo livro foram escritos com o intuito de apresentar ao leitor informações sobre o debate que, inevitavelmente, um dia deverá ser feito. Se as pessoas não participarem da coisa pública, um pequeno grupo irá fazê-lo.

TopMídiaNewsO livro já tem 500 exemplares vendidos antes de seu lançamento oficial. A que, em sua opinião, se deve esse número?

Penso ser resultado das pessoas que acompanham meus textos e minhas reflexões. Muitas delas disseram-me que gostam do que escrevo e estão ansiosas para lerem Subjetividade na Pós-modernidade. Minha preocupação central é a produção de conhecimento para informar e fazer pensar chamando meus leitores a uma reflexão sobre o contexto em que estão inseridos, bem como a possibilidade real que eles têm em interferir na realidade social buscando equidade no crescimento do país.

TopMídiaNewsEm que aspectos a vida de policial lhe ajuda no momento de criação das obras literárias?

Acredito que o fato de ter jurado defender a sociedade, mesmo com o risco da própria vida, é a motivação maior da minha produção literária. O fato de ser policial, em si, não é o fator principal de minhas inspirações, mas meu desejo em produzir uma obra que seja relevante para todos.

TopMídiaNewsPlaneja seguir conciliando as duas funções paralelamente?

Até o momento minha vida literária apenas contribuiu para elevar e enaltecer o bom nome da instituição permanente Polícia Militar da qual faço parte, e com muito orgulho. Em alguns anos virá a aposentadoria, e a dedicação em tempo integral às letras. Ministro oficinas de literatura de cordel nas escolas.

TopMídiaNewsQuais os outros títulos de sua autoria publicados e do que se tratam?

Publiquei “O Juizado Especial Criminal da Comarca de Dourados: um estudo sobre o perfil social dos casos”, que é o resultado de uma pesquisa de campo durante dois anos e meio no Juizado Especial de Dourados. “Amambai com Poesia” e “Cidade Crepúsculo” eu lancei em 2013 em homenagem aos 65 anos do município. “Educação Patrimonial e Cultural de Dourados” é um folheto de cordel que escrevi para os estudantes falando sobre patrimônio material e imaterial, o que pode ser tombado e quais esses bens assegurados por Lei no município de Dourados.

TopMídiaNewsJá está planejando outro livro ou projeto futuro?

Estou finalizando meu primeiro romance chamado Amor em Rede, que trata da interação das pessoas no mundo virtual. Abordo temas como o tráfico de pessoas, violência doméstica, abuso e exploração de crianças e adolescentes e, é claro, a interação de um par romântico que se conhece na internet e desejam viver um grande amor. Atualmente estou escrevendo muito sobre o ofício de escritor, suas inspirações, técnicas e estratégias na produção literária.

Agradeço a oportunidade e o apoio literário do TopMidiaNews e convido a todos para o lançamento nesta terça-feira, dia 20 às 19h30min no Fran's Café em Campo Grande, na rua Marechal Rondon, 2453, Centro. 

O livro "Subjetividade na Pós-modernidade" pode ser adquirido pelo site da Editora Life, na Livraria Canto das Letras, em Dourados ou através do contato com o próprio autor. O custo é de 30 reais e as encomendas para outros estados têm frete gratuito.