TCE JUNHO 2022
TOP MIDIA INSTITUCIONAL
Menu
quarta, 29 de junho de 2022 Campo Grande/MS
GOV ENERGIA ZERO JUNHO 2022
Especiais

Artista Plástica venezuelana foge com filhos e vira faxineira em Campo Grande

História dessa batalhadora que recomeçou a vida do zero emociona em tempos de pandemia

29 março 2020 - 15h15Por Dany Nascimento

Stonia Felicia Martínez Pinto, 47 anos, deixou o trabalho de artista plástica na Venezuela para trabalhar como diarista no Brasil. Após ver muitas pessoas serem mortas, a artista decidiu deixar as origens de seu pais, para tentar a sorte de pelo menos viver sem guerra ao lado dos dois filhos, Sara, de 15 anos, e Jorge, 9 anos.

“Eu era muralista com mais de 3 mil metros de desenho executados no espaço público. Cheguei aqui em agosto do ano passado com meus dois filhos. Nasci no estado de Barquisimeto Lara, deixei meu país fugindo da destruição e das mortes causadas por uma ditadura populista, comunista e travessa. A ditadura que afundou meu país em fome, miséria e destruição”, relembra Stonia.

Ela destaca, ainda, que já viu colegas de trabalho serem mortos. “Trabalhei ao lado de muitas pessoas que são exiladas, prisioneiras ou perseguidas politicamente, sem contar as que foram desaparecidas ou mortas. Muitos optaram apenas pelo silêncio da sobrevivência. Na ditadura, você escolhe o silêncio, a morte ou o exílio. Saí sem documentos porque meus passaportes foram retidos, eu estava esperando há três anos e eles nunca chegaram. Eles até me pediram 1500 dólares para cada passaporte”.

“Eu estava fazendo um trabalho político para o governo da oposição do presidente Juan Guaido. Pedia marchas, reuniões e manifestações públicas contra o regime ditatorial. Tanta crueldade e morte só me fizeram pensar em proteger meus filhos e é por isso que estou no Brasil”, afirma Stonia.

Há quinze dias, Stonia afirma que encarou problema de saúde e, mesmo assim, só sente gratidão pelo que encontrou em terras brasileiras. “Fiquei com dengue e fiquei com um cisto no ovário. Mas meu coração não para de agradecer ao Brasil como uma pátria acolhedora”, conta a artista, que abandonou a carreira e hoje trabalha como faxineira em Campo Grande.