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Era de ouro passou, mas Campo Grande tem até lan house na ativa há 20 anos

Para sobreviver, alternativa dos também chamados cyber cafés foi apostar em games e serviços

10 JUN 2019
Amanda Amaral
09h08min
Foto: Wesley Ortiz

Houve um tempo em que a concorrência era grande, mas ainda assim era glorioso o movimento em lan houses e cyber cafés em Campo Grande. Na transição do último século, o ‘boom’ estava firmado e principalmente os jovens lotavam esses lugares, que foram desaparecendo conforme a tecnologia avançava.

Contudo, houve quem entendeu a transformação e se adaptou aos tempos. A divisão costuma ser entre os estabelecimentos que hoje oferecem serviços ou uso básico, e redutos de gamers, com máquinas mais potentes. Com conexão disponível com facilidade, pra quê sair de casa? 

Cyber da 7 funciona desde 2001. (Foto: Wesley Ortiz)

Uma das respostas está em uma portinha na Rua Sete de Setembro, no Centro, um cyber que está na ativa há quase 20 anos. Especializado em resolver as necessidades de quem não leva jeito com a tecnologia e serviços como impressão e digitalização, o Cyber da 7 ainda faz sucesso com quase 30 mil clientes cadastrados, desde que o controle de frequência se tornou lei estadual, em 2005.

O proprietário, Edson Palombo, 42 anos, conta que a inovação foi necessária. “Teve uma época que tinha muita procura, mas foi passando e mudamos também. Hoje conseguimos ajudar os clientes que têm dificuldade com computador, cadastros, principalmente idosos, oferecemos assistência técnica, encadernamos e imprimimos artes como folders e convites de casamento”.

Produtor prefere sair de casa para trabalhar no cyber. (Foto: Wesley Ortiz)

O cyber virou praticamente o escritório do produtor de shows Marcus Barão, 49 anos. Há 15 ele frequenta o cyber, escolhido pela praticidade de ser uma região central e com vários serviços à disposição. “Fiz as contas e decidi que o custo-benefício para mim é bem melhor, hoje montar um escritório é muito caro, equipamento, móveis. Aqui tenho tudo pronto, tudo certo”, diz.

Games

Do outro lado, estão as lan houses com computadores de alta capacidade e até ambiente próprio para a maratona de jogos. Também no Centro, mas na Rua Rui Barbosa, a Arena Bulldog surgiu em 2017 para esse público que não tem como rodar os games mais pesados em casa, ou prefere a ‘atmosfera’ do lugar.

Movimento para games é maior a noite, diz Tiago. (Foto: Wesley Ortiz)

O atendente Tiago Fugiwara, 32 anos, dá o panorama. “Hoje se encontra preço popular para computadores de uso doméstico, mas que para os jogos pesados não atendem. Tem promoção no período da tarde, o menos movimentado, a noite é que fica mais cheio, na maioria de homens, mas de todas as idades. Estudante também vem fazer trabalho, mas é menos”, conta, salientando a lei estadual que permite entrada de menores de 12 anos sem autorização de responsáveis.

Em 2008, metade dos acessos à internet no Brasil ainda era feita por em lan houses, conforme estudo do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação. Em 2019, o Brasil tem dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets e, até o final do ano o país terá 420 milhões de aparelhos digitais ativos, conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

Wesley Ortiz

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