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Esperança é a sina de quem depende da antiga rodoviária de Campo Grande

18 dezembro 2015 - 08h39Por Anna Gomes

Com uma arquitetura não tão bonita como os prédios de hoje,  o antigo Terminal Rodoviário de Campo Grande há décadas já chegou a ser referência quando o assunto era comércio, na Capital de Mato Grosso do Sul.  O que ninguém poderia imaginar é que todo aquele movimento que existia há anos, um dia poderia acabar pelo descaso do Poder Público. Os comerciantes que já chegaram a viver 'momentos de glórias', agoram cultivam incertezas, apelando para qualquer melhoria e vivendo de esperanças de dias melhores.

O movimento que já estava ruim, conseguiu piorar desde 2010, após a transferência do Terminal Rodoviário para a Avenida Gury Marques, do outro lado da cidade. De lá para cá, nesses cinco anos, os comerciantes que ficaram no antigo prédio lutam por alternativas com a finalidade de movimentar o grande espaço de 25 mil metros quadrados e com 200 lojas, que hoje em dia estão quase todas fechadas.

Os comerciantes que independentemente do movimento resistem em não abandonar o lugar, se apegam no ditado: 'a esperança é a última que morre'. Como é o caso da Vera Maria, 66 anos, que há 40 anos ela é proprietária de um salão de beleza no prédio se lembra dos momentos felizes que passou no local.

(Vera diz que tinha várias lojas, mas devido ao fraco movimento, só ficou com um estabelecimento. Foto: Geovanni Gomes)

"Antigamente tinha outros estabelecimentos aqui na rodoviária, já tive lojas de roupas e vários funcionários. Com o passar dos anos, o movimentos dos clientes só foi caindo e hoje em dia só tenho a 'Preta' minha fiel amiga e funcionária que trabalha comigo há 38 anos. Ficamos esperando um milagre acontecer e a prefeitura nos ajudar. Viver quatro décadas aqui nesse prédio é uma vida", lamenta a cabeleireira.

A Prefeitura Municipal de Campo Grande até chegou a transferir os trailers que ficavam nos canteiros da Avenida Afonso Pena para o antigo terminal rodoviário, mas nem assim, o movimento chegou até aos lojistas.

Com o abandono, a ajuda do poder público, que detém 1/3 do prédio, sempre foi solicitada, mas, até então, o que se ouviu foi apenas promessas. João Paulo, 72, tem uma loja de vestuário há 39 anos no prédio e diz que antigamente o movimento era tão grande que ele tinha cinco funcionários e às vezes ainda precisava da ajuda da família para conseguir atender todos os clientes.

 

 (João Paulo conseguiu tirar o sustento e criar os filhos com o comércio no prédio. Foto: Geovanni Gomes).

"Costumo dizer que político não gosta de trabalhador, pois grande parte do prédio é do poder público e o que eles fazem para nos ajudar? sim, só promessas. Com esse comércio, eu tirei o meu sustento e criei meus filhos. Hoje em dia trabalho sozinho, com pouco cliente, mas tenho esperança de dias melhores", diz o idoso confiante.

A também cabeleireira Marina Ferreira, 46, trabalha no prédio há 20 anos e como a grande maioria dos comerciantes do local, ela também tinha vários funcionários e nos dias de hoje trabalha sozinha. A proprietária também lamenta da má fama que a antiga rodoviária possui.

 (Com dezenas de clientes há alguns anos atrás, agora, Marina só atende com hora marcada. Foto: Geovanni Gomes).

"Às vezes os fatos acontecem ao redor, ou próximo da rodoviária e as pessoas já acham que é no prédio.  Antigamente o salão chegava a funcionar até as 23h dependendo do movimento. Hoje atendo apenas clientes antigas que gostam do meu trabalho e marcam horário comigo. Os políticos só prometem melhorar aqui, cansei de ir em reuniões onde nos prometiam milhares de coisas. Prometer é fácil, fazer nenhum faz", desabafou.