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Homens vivem opressão sofrida por mulheres em curta-metragem

Especial Mulheres

5 MAR 2014
Dirceu Martins
10h33min
Cena do filme 'Maioria Oprimida'. Foto: divulgação

Lançado há quatro anos, mas agora tema continuo nas discussões sobre o posicionamento das mulheres nas diversas sociedades ditas avançadas, “Oppressed Majority” (“Maioria Oprimida”) é um curta-metragem da atriz e diretora francesa Eléonore Pourriat, onde o homem protagoniza o dia a dia das mulheres com as suas mais variadas formas de discriminação, poucas vezes entendida como agressiva ou opressora. Das cantadas ao assédio físico violento, a desigualdade de gênero fica patente mesmo nas situações corriqueiras e socialmente aceitas.

Nas cenas "invertidas", as mulheres praticam jogging em tronco nu, ou o homem que é violentado e não tem o apoio da própria esposa, que o acusa de andar na rua em trajes provocativos. Lembra algo ou alguma situação?

Em poucos dias, graças à versão legendada em inglês, (aqui na versão legendada em português) o vídeo atingiu mais de seis milhões de visualizações, o que talvez seja a prova de que estão certas as palavras de Eléonore Pourriat: "houve um retrocesso nos direitos das mulheres em todo o mundo (ainda que queira incidir sobre o caso francês). Não é bem o espelho da sociedade em que vivemos mas é uma aproximação bastante credível".

E se os homens fossem tratados como tratam as mulheres?

Ainda que se apresente como documentário o vídeo é, ainda hoje e na verdade, uma triste obra de ficção. Numa sociedade que não consegue acertar seus passos e conduzir-se dignamente como "humana" em quaisquer dos aspectos sociais, supor que a situação das mulheres tenha alguma prioridade, é um exercício futurista.  Isto porque a alteridade, que seria primordial, implicaria que um indivíduo (homem) fosse capaz de se colocar no lugar do outro (mulher), em uma relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes.

Esperança

Em Mato Grosso do Sul, as mulheres esperam ansiosas que, num ato de justiça, o governador André Puccinelli, que vetou o projeto que tratava da  Política de Amparo e Assistência à Mulher Vítima de Violência, repense este ato e atente para as dez mil assinaturas postas em documento entregue em seu gabinete pelo funcionamento 24 horas das Delegacias das Mulheres.

O veto ao projeto de Lei do deputado estadual Laerte Tetila (PT), que dispõe sobre a Política de Amparo e Assistência a Mulher Vítima de Violência em Mato Grosso do Sul, contraria as determinações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Senado que investigou a violência contra a mulher no Brasil.

 “O investimento em segurança é para proteger vida e diminuir os índices que são alarmantes, não podemos tolerar medidas que deixam como frutos, vidas que não voltam mais, ou marcas que trazem sérios transtornos psicológicos. Existe uma recomendação para ampliação do atendimento da Delegacia de Atendimento a Mulher e abertura de mais delegacias na capital e no interior do estado, entre outras ações, que visam resguardar a integridade das mulheres que sofrem violência e precisam de proteção”, comentou a vereadora Luiza Ribeiro (PPS).

Atualmente a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) registra cerca de 70 casos de agressões físicas e psicológicas por dia.

Em Mato Grosso do Sul temos um arremedo de ações que dão suporte à Lei. Notem que em 2013, sete anos passados de sua promulgação, não temos, sequer, delegacias específicas que funcionem ininterruptamente. Desprotegemos as mulheres quando as agressões se fazem mais constantes; período noturno, finais de semana e feriados. Delegacias comuns não funcionam nestes casos, provou-se antes, confirma-se agora. Vamos acordar ou permanecer na eterna busca pela resposta: Para que servem as Leis?

Vale a pena assistir:



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