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PMCG - REFIS 01 a 30/07/2019

Mãe de 1ª viagem é abandonada à própria sorte e quase perde bebê em espera por parto normal

"Não podia mexer por conta da anestesia e eu só ouvia 'põe peito na boca dele'", conta

4 MAR 2019
Nathalia Pelzl
08h03min
Foto: Agência Pú

A cada matéria publicada sobre violência obstétrica, nossa equipe de reportagem recebe mais depoimentos sobre mulheres que passaram por essa situação. São vários relatos, no entanto, o escolhido agora é o de Thaynara, 24 anos, mãe de primeira viagem, cheia de sonhos e desejos com a gestação, um deles, ter um parto calmo e tranquilo, sem decepções. Mas não foi isso que aconteceu.

“Vi alguns relatos sobre violência obstétrica e gostaria de deixar um pouco da minha história também. Sou mãezinha de primeira viagem, meu bebê tem apenas 2 meses de vida e vou deixar meu relato da experiência que tive no Hospital Regional Rosa Pedrossian (HRMS)”.

"Cheguei ao hospital sentindo cólicas, porém sem estar em trabalho de parto (dilatação) com exatas 41 semanas e três dias. O médico plantonista, pelo tempo gestacional, decidiu me deixar internada já pra avaliações, o que não aconteceu no decorrer dos dias. Apenas me deixaram lá de molho sem atenção alguma deitada em uma maca. Ele passou apenas uma vez para poder ver a posição do bebê. Após alguns dias, já estava esgotada, pois não faziam nada e nem liberavam minha dieta. Estava a dias em jejum. Decidiram então fazer um cardiotopo e constataram que meu filho já estava com os batimentos alterados, já não estava recebendo oxigênio e, se demorasse, eu até perderia ele”, conta.

Em seu depoimento, ela conta dos momentos de terror vividos. Exames eram realizados e, cada vez mais o batimento do bebê ia ficando fraco e a pressão da mãe subindo. Segundo ela, após muita insistência, foi definido que o parto seria cesárea, ao invés do normal como o médico estava solicitando.

“Após muita insistência nossa pela cesárea, conseguimos. Sabemos que é procedimento do hospital induzir ao parto normal, mas no meu caso, meu filho estava com batimentos fracos, sem receber o oxigênio necessário e eu estava com a pressão lá em cima, no final da gestação tive início de pré-eclâmpsia e isso estava na descrito na minha carteirinha de gestante, tentar normal não daria certo”, desabafa.

Tudo decidido, enfim parto realizado, final feliz, ou quase, após tantos problemas para o nascimento do pequeno, a humilhação de fato começaria.

“Vomitei e passei muito mal durante a cirurgia e não parou por ai já que, após isso, as enfermeiras jogaram meu filho nos meus braços e me deixaram sozinha, grossas. Não podia mexer por conta da anestesia e eu só ouvia 'põe peito na boca dele'. Meu filho só chorou, a madrugada toda, de fome, claro, e ninguém me ajudou. Enfim, vivi momentos de terror, quase perdi meu filho, e não consegui amamentar, devido ao trauma”, finaliza.

O outro lado

Nossa equipe entrou em contato com a assessoria de imprensa do local para verificação e posicionamento sobre os acontecimentos, mas até o fechamento desta matéria não teve retorno.

Equipe TopMídiaNews

Reforçamos que a nossa ideia não é denegrir, nem manchar a imagem de nenhuma unidade de saúde, estamos relatando depoimentos que chegam até nós através dos nossos portais de comunicação, WhatsApp e Facebook.

Violência Obstétrica do País

No Brasil, dados mostram que 25% das mulheres apesar não de muitas vezes não estar familiarizada com o assunto, já sofreu este tipo de violência.

A Organização Mundial da Saúde fez uma lista de violência no parto para que sejam identificados e combatidos nos hospitais e maternidades do mundo. São eles: abuso físico, abuso sexual, preconceito, discriminação, não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado, mau relacionamento entre as gestantes e os profissionais, condições ruins do sistema de saúde.

Uma boa alternativa para evitar que isso ocorra é a presença de acompanhantes, assegurada pela Lei 11.108, que existe desde 2005. 

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