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Mães ‘se viram nos 30’, mas deixar filhos em escolinhas enquanto trabalham ainda é sofrimento

Com lágrimas nos olhos, as mães deixam os filhos sob cuidados de terceiros para encarar rotina árdua

18 MAR 2019
Dany Nascimento
09h20min
Foto: Arquivo pessoal/Facebook

Voltar a rotina de trabalho após meses cuidando do filho é tarefa árdua e vivenciada por muitas mamães em Campo Grande.  Deixar os pequenos em creches e escolas faz lágrimas escorrerem pelo rosto, mas muitas mães precisam se ‘virar nos 30’ e ver os pequenos apenas no final do expediente.

A faturista Elaine Souza Chabes, 34 anos, passou quatro meses (período de licença maternidade) ao lado do primeiro filho, Natan Souza Chaves Ibanhês, 6 meses, e sofre para acostumar com a rotina longe do bebê.

“Estive de licença maternidade e consegui um atestado de amamentação de 15 dias porque o meu Natan só mama no peito. Infelizmente tive que retornar ao trabalho e, essa semana, saiu a vaga na creche. Foi o pior sentimento da minha vida, me senti impotente, um nada, como se eu estivesse abandonando meu bebê”.

Elaina destaca que pensou em deixar o emprego para cuidar de Natan. “Pensei trezentas mil vezes em sair do serviço para ficar com ele. Ele foi tão esperado e, de repente, tenho que deixá-lo no Ceinf onde não conheço as monitoras as quais estão cuidando dele, embora esteja bem assistido. Fico mais ou menos oito horas por dia longe dele. Às vezes, na hora do almoço, vou para amamentar ele porque ele ainda está se acostumando com a mamadeira, ele ainda recusa”.

A mãe de primeira viagem ainda fica dividida entre sair do trabalho ou se manter lá para dar o melhor para o filho. “Quando entreguei ele para a professora foi a pior sensação da minha vida. Senti um aperto muito forte no coração, chorei muito o dia inteiro, como se eu estivesse abandonando ele. Às vezes penso que ele não vai mais gostar de mim, penso em sair do serviço para ficar com ele, mas ao mesmo tempo preciso trabalhar para dar o melhor para o meu bebê".

"É tudo tão difícil. Hoje eu não vou buscar ele, quem vai é minha mãe e ela diz que ele não sai chorando e sim sorrindo. Hoje mesmo já vim pedindo pra Deus me orientar se o melhor é eu sair do serviço para cuidar dele ou continuar trabalhando, porque, no meu pensamento, ele não vai mais me amar”, desabafa.

A advogada Corine Adriana Maljaars, 29 anos, também encara dias sofridos longe do filho Nícolas. “Hoje ele está com três anos, mas quando eu ganhei ele, fiquei apenas 45 dias de licença e tive que retornar. É difícil, para ele agora é dinâmico, ele está aprendendo muitas coisas, mas para quem é mãe, dói muito. Às vezes, quando eu chego, ele está dormindo e quando saio para o trabalho, ele também está dormindo, é dolorido”.

Ela ressalta que tem noção de que é importante para o desenvolvimento do filho estar na escola. “Para ele é normal já, ele brinca, aprende, mas em mim ainda dói”, completa.  

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