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Mãe, avó, bisa e até 'pai', Lucila não esquece dos órfãos e sugere comemorar o 'Dia do Responsável'

Dona Lucila nasceu em Cuiabá, mas foi em Campo Grande que criou 12 filhos e se orgulha da família que constituiu

06 maio 2019 - 09h03Por Dany Nascimento

Com 83 anos de vida, Lucila Rodrigues Santos, que sempre comemorou Dia das Mães e Dia dos Pais, acredita que o país devia mudar a homenagem e passar a comemorar o Dia Nacional do Responsável, levando em consideração que muitas pessoas não têm pai e/ou mãe.

Mãe de 12 filhos após passar por um total de 17 gravidez - já que sofreu cinco abortos -, Dona Lucila esbanja sorrisos e diz que faz questão de estar perto dos filhos no segundo domingo de maio durante todos os anos. “É uma alegria só, é o Dia das Mães, mas eu acho que realmente seria mais coerente falar em Dia do Responsável, porque tem muitas pessoas que não tem mais pai, não tem mãe e ficam tristes com a comemoração do dia. Meus filhos não tem mais pai, ele faleceu e, no domingo dos Pais, também ficamos juntos porque hoje eu sou a responsável pela família”.

Ao falar da família que construiu em Campo Grande, a idosa sorridente diz que todos são trabalhadores e relembra a profissão dos netos. “Todos os meus filhos são pessoas trabalhadoras, cada noite um dorme comigo, amanhece aqui comigo, e é uma maravilha. Eu tenho neta médica, tenho neta engenheira, advogada, minha família é só motivo de orgulho”.

Ao relembrar o passado, Dona Lucila diz que tem 25 anos que os filhos não comemoram o Dia dos Pais ao lado de Benedito Santana. “Eu já não era mais casada com ele, terminei de criar meus filhos sozinha porque nos separamos, mas tem 25 anos que no Dia dos Pais, é comigo que eles estão. Claro que eles lembram do pai com carinho, mas eu acho que seria legal ter Dia do Responsável porque tem pessoas que são criadas pelos tios, pelos avós e nada mais justo do que ter um dia para eles”.

Quando o assunto é aposentadoria, Dona Lucila deixa claro que mesmo com 83 anos ainda se dedica a vendas de verduras e frutas na feirinha da Vila Nhanhá e diz que não consegue parar. “Se eu parar, eu fico doente, eu preciso trabalhar. Meu filho também é feirante, temos duas barraquinhas na feira, trabalhamos com isso ainda e vamos continuar trabalhando se Deus quiser”.

Acordar tarde não é com Dona Lucila, que vê o dia amanhecer todos os dias. “Eu acordo cedo, faço café, chá e depois, o filho que dorme comigo acorda e toma café. Eu sou muito grata a Deus pela vida que eu levo, sou muito feliz. Todo dia tem gente na minha casa, netos, bisnetos, filhos, é maravilhoso demais”.