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quinta, 27 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
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Na realidade campo-grandense, presidiários têm mais segurança que população

04 dezembro 2015 - 15h51Por Izabela Sanchez

No Jardim Noroeste, bairro que fica ao lado do Presídio de Segurança Máxima Jair Ferreira, em Campo Grande, a proximidade com a instituição não prejudica os moradores, que afirmam proporcionar segurança. Ainda assim, nos locais do bairro que estão distantes do presídio, a falta de estrutura - que ocorre em todos os bairros de periferia na capital -, é o principal motivo do envolvimento de diversos jovens em infrações. O bairro se torna um produtor de violência.

Mayara de Oliveira tem 27 anos e mora no Noroeste há 14 anos. Ela afirma que ocorrem homicídios todos os finais de semana. As ocorrências e a falta de iluminação pública tornam o dia-a-dia da moradora controlado pelo medo. “No final de semana é impossível sair. Dentro do presídio é mais seguro do que aqui fora, com certeza”. Mayara também explica que diversos bares estão se tornando locais em que adolescentes bebem e usam drogas, sem que nada seja feito.

                       Mayara, com a filha no colo, tem medo de sair de casa (foto: Geovanni Gomes)

“A violência está pesada, realmente. Tem muito furto e muito tráfico, e ter polícia não adianta muita coisa.”, conta Edilene Frasão, manicure que mora no bairro há dois anos.  É o que também pensa Mayara. Ela afirma que quando acontecem crimes mais graves, a polícia só aparece depois de 3 ou 4 horas.

O que as duas moradoras explicam, é que a presença da polícia não é a solução para a violência, já que não há trabalhos preventivos , e a polícia é ineficaz em ocorrências. As condições do Noroeste levam ao acesso mais fácil de adolescentes para a realidade das infrações. Nas ruas também falta asfalto, há matagal por todos os lados, e não há espaços de convivência e cultura.

                            Ruas de terra, mato e lixo são comuns no Jardim Noroeste (foto: Geovanni Gomes)

A proximidade com o presídio, no entanto, faz com que comércios e moradores que estão ao lado da Instituição, sintam-se mais seguros. “Aqui é sempre mais tranquilo, mais sossegado. Os agentes estão sempre no local, há sempre movimento”, explica Cleomar, dona de um comércio na rua em que fica o presídio.

A saúde, por outro lado, é mais um problema dos moradores. Entre um posto de saúde com falta de médicos, e locais cheios de entulhos e focos de dengue, as condições das pessoas se tornam mais vulneráveis. “Minha filha tinha que passar por consulta de 45 dias, não consegui marcar pra ela, tive que ir ao Noroeste. Você vê, ter que pagar ônibus com um posto aqui do lado”, reclama Edilene. Ela também afirma que há cerca de 7 meses que faltam médicos no atendimento.

“Focos de dengue têm muitos aqui. Não há limpeza, não tiram nunca os entulhos das ruas. Diversas pessoas jogam móveis e qualquer outro material, e vai acumulando”, é o que conta a vendedora Nathália Ferreira, 24. Ao lado dos entulhos, o mato também cresce e se acumula. Questionada sobre o papel da concessionária responsável pela manutenção da limpeza no bairro, Nathália explicou que a empresa se nega a realizar o serviço. “A Solurb fala que eles não retiram entulhos”.