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Outubro Rosa: 'quando eu senti o nódulo não me importei'

02 outubro 2015 - 10h09Por Kamila Alcântara

Há 15 anos a Rede Feminina de Combate ao Câncer participa da campanha Outubro Rosa, que tem como objetivo principal alertar as mulheres da importância da realização de exames para prevenir o câncer de mama. Quem vive na pele a luta contra a doença diz que o maior inimigo do combate é o “deixa para depois”.

Tudo começou com o ato de tocar os próprios seios e algo estranho foi encontrado no lado esquerdo, mas a rotina e um divórcio tomou mais importância que o caroço. “De imediato eu não me importei, mesmo com o susto. Estava passando por uma separação, minha rotina mudando, coisas para resolver e eu não dei importância. Me arrependo disso”, conta a comerciante Eva Regina Escobar, 41 anos, faz tratamento há três meses no Hospital Alfredo Abraão.

Regina compartilhou, em uma conversa cheia de sorrisos na ala de quimioterapia, que a luta maior não é com a doença. “Sou vaidosa, tinha um cabelão loiro na cintura, foi muito difícil perder o cabelo e agora soube que vou tirar totalmente o seio. Porém, a minha preocupação era de não entrar em um buraco escuro... O câncer eu sei que tem tratamento e sei que a depressão mata”.

A notícia que ia perder o seio esquerdo veio há alguns dias, mas o tumor pode ter causado uma fratura no tórax. Mesmo com a gravidade da situação, a resposta para isso foi que “nada que um silicone bem turbinado não resolva”.

Mãe de dois filhos, de 13 e 10 anos, Eva confirmou que ela e os filhos precisaram que apoio psicológico no momento que descobriram a doença, mas a vontade de não se afundar em na tristeza é maior que qualquer avanço clínico. “Eu tenho muita vontade de viver, eu quero viver! Todos os dias eu acordo cedo, tomo um banho e converso bastante. Conheci pessoas que se entregaram a depressão, mas quando penso nos meus filhos crio forças. Quando me curar, serei uma das que sempre voltarão aqui para conversar com os pacientes”, reforça.

Rede

Atendendo quase 50 pacientes por mês, principalmente ajudando na recuperação, a Rede Feminina existe e está empenhada na prevenção da doença. “Além da caminhada, nós realizaremos palestras em várias empresas durante todo mês. Também terá um stand no Pátio Central para informar quem passar por lá. A cada ano as pessoas estão ficando mais informadas e isso ajuda muito na prevenção”, explica a presidente da Rede, Rosana Macedo.

(A presidente da Rede explica todas as ações da campanha. Foto: Geovanni Gomes)

Quem trabalha no atendimento de mulheres atendidas no Alfredo Abraão diz que as experiências de vida são gratificantes. “Faz 19 anos que trabalho na Rede como voluntária. Já fui enfermeira, mas nada é mais gratificante que encontrar as mulheres que passaram por aqui e hoje estão curadas, apenas fazendo o acompanhamento”, diz Aparecida Labão da Silva.

Cor-de-rosa

A história do Outubro Rosa começou na última década do século 20, quando o laço cor-de-rosa foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura em Nova York, no ano de 1999. Em 2008, monumentos históricos de todo o Brasil começaram a ser iluminados por lâmpadas da cor da campanha, no ano seguinte a ação começou a se multiplicar.