Será realizado nesse sábado (17), na Câmara Municipal de Campo Grande, às 14 horas, o 2° Seminário da Federação de Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios de Mato Grosso que tem como tema “A relação do Poder Público com as religiões de matrizes africanas e ameríndias”.
O Seminário pretende discutir os direitos constitucionais que vem sendo negados às religiões de matrizes afro-brasileiras, como a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e debater outras questões como a Lei do Silêncio em relação ao uso de atabaques e cantoria de pontos.
O Seminário terá palestras de Leonel Monteiro, da Federação Brasileira de Preservação da Cultura Religiosa de Matriz Africana e Ameríndia da Bahia; Antônio Lino, mestre em Filosofia da Educação pela UFMS e Tatiane Almeida Lima, gerente de Projetos Estratégico da Prefeitura de Salvador-BA.
O evento contará com a participação do procurador-geral de Justiça do Estado da Bahia e especialista em liberdade religiosa, Lidivaldo Reaiche Raimundo Britto. Participam representantes da Defensoria da Cidadania, Ministério Público Ambiental e da Cidadania e Direitos Humanos, Secretaria de Finanças e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Campo Grande, OAB, UFMS, Fórum de Cultura, Fundac, lideranças religiosas e presidentes de templos.
“Onde há democracia, existe liberdade religiosa. Se nós temos os mesmos direitos, deve haver harmonia e respeito para que cada um exerça sua fé, e com este entendimento estamos apoiando este evento que é de fundamental importância para a sociedade Campo-Grandense”, comentou a vereadora Luiza Ribeiro (PPS), apoiadora do evento.
A Fecams, através de seu presidente, Iraci Barbosa dos Santos, conhecido como Babalorixá Irbs vem desenvolvendo um trabalho de filiação e regularização dos centros, terreiros, templos, roças e outros locais que pratiquem os cultos afro-brasileiro e ameríndios. “Os cultos ainda sofrem com o preconceito. Fora essa barreira cultural, existe muitas pessoas que praticam sem ter conhecimento, que prejudicam o trabalho de quem é sério", explica Irbs.
Uma das pautas de grande importância remete ao projeto de criação do Vale dos Orixás, já aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito Alcides Bernal, e que cria um espaço democrático para os cultos. “Todas as formas de religiosidade engrandecem o homem porque são baseadas no amor de Deus. Campo Grande necessita deste espaço para que algumas religiões possam apresentar suas manifestações de fé e por outro lado, este projeto fortalece a cidade culturalmente e pode se transformar em um espaço para o turismo”, afirmou Luiza Ribeiro.
“A liberdade da prática religiosa é um direito garantido pela constituição e todos perante ela somos iguais em direito, a construção do Vale dos Orixás é uma grande conquista para nossa cidade e para os praticantes de Umbanda e Candomblé. Pois teremos um lugar sagrado onde poderemos praticar nossa religiosidade de maneira correta e organizada, sem afrontar ou perturbar as pessoas de outras crenças. Assim como os irmãos católicos tem sua Praça do Papa também construída pelo poder público, nós temos o direito de ter nossa espaço cultural e além do que pagamos impostos como todos os outros cidadão. Não será construído um templo mas sim um santuário natural, preservando a fé e a natureza”, enfatizou Irbs.
Evento
o 2° Seminário da Federação de Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios de Mato Grosso que tem como tema “A relação do Poder Público com as religiões de matrizes africanas e ameríndias”, será realizado nesse sábado (17), na Câmara Municipal de Campo Grande, Avenida Ricardo Brandão, 1.600, Jatiuka Park, às 14 horas.







