O Top Mídia News mostrou ontem (23) em matéria destaque sobre a possível volta da empresa Health Nutrição e Serviços LTDA ao fornecimento de alimentos a funcionários e para os setores do Hospital Universitário (HU) de Campo Grande. O caso veio à tona novamente depois que funcionários viram um furgão na última semana estacionado no pátio do hospital. Foi apenas um dos motivos para causar tamanho tumulto e o “disque me disque” assombrar os servidores daquele do HU.
Para quem não lembra, a tal empresa de alimentos Health, está sendo investigada pela Controladoria Geral da União no MS (CGU) e pelo Ministério Público Estadual (MPE), no escândalo que atingiu a saúde do Estado em 2013, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Sangue Frio e desmontou em esquema na época em que o diretor geral do HU, José Carlos Dorsa comandava o hospital.
O caso foi parar na tribuna da Câmara dos vereadores da Capital na sessão de ontem (23). A parlamentar Luiza Ribeiro (PPS) discursou sobre a denúncia e prometeu cobrar das autoridades o andamento das investigações e saber se realmente a Health está em processo licitatório para voltar a atuar no fornecimento dos alimentos ao hospital.

“A alimentação integra o tratamento do paciente. O HU desmontou o setor nutricional que sempre foi o setor que fez a alimentação e isso serviu para a terceirização da empresa, que inclusive foi feita sem licitação”. Vou ficar em cima deles e se for preciso volto a falar aqui. Vou acompanhar o caso de perto para saber a que pé estão as denúncias feitas em 2013. O que interessa para o HU interessa para quem é de Campo Grande”, disse a vereadora.
A reportagem procurou novamente alguns funcionários do HU. Conversamos com uma das nutricionistas que trabalha há 33 anos no hospital. “Realmente escutamos que a Health está tentando voltar a fornecer os alimentos para cá. Mas como uma empresa que está sendo investigada por fraudar licitações pode concorrer em uma nova? Espero que isso não aconteca, porque se isso se concretizar aí teremos que tomar outras medidas”, relatou a nutricionista Rosângela dos Santos Ferreira.

Conversamos também com Carlos Simões, funcionário da UFMS que na época em 2013 quando estourou a Operação Sangue Frio, trabalhava no HU. Atualmente Carlos está no setor de Ciências Biológicas da universidade. “Essa UFMS é pior que Brasília, acontece tanta coisa errada que nós servidores públicos quando descobrimos tentamos denunciar, fazer algum barulho, mas eles são peixe grande e não temos para onde pedir ajuda”, confessou Simões.
Em março de 2013 a Health Nutrição e Serviços LTDA foi impedida de continuar os contratos com o Estado, onde o preço da refeição girava em torno de R$ 15,00, na atual licitação, a empresa ofereceu um valor bem abaixo consumido pelo mercado, R$ 8,90 por refeição. Conforme empresários do setor, o valor apresentado não cobre sequer os custos ofertados dos alimentos de mercado.
Atualmente quem serve as refeições do HU é a empresa FCA Comércio e Eventos LTDA. Segundo representantes da empresa, são cerca de mil refeições por dia ofertadas ao hospital. “Depende do dia, chega quase 400 refeições por período, tem café, almoço, ceias, e janta. Todas em marmitex. Comida de qualidade, de procedência. Totalmente diferente dessa Health que estaria tentando voltar para o HU”, disse um funcionário da enfermaria do hospital que não quis se identificar.
O contrato com a Health Nutrição e Serviços em março do ano passado, antes da empresa alimentícia sair do HU, para a aquisição de refeições foi elevado para R$ 1,7 milhão, depois de um aditivo de R$ 197mil, e ainda teve a dispensa licitatória indevida, além da não comprovação satisfatória da entrega das refeições pela empresa.
Informações apuradas pela reportagem, hoje (24) na parte da tarde o vencedor da disputa da licitação em modo de pregão eletrônico será anunciado pela pregoeira Sandra Maria da Rocha. O Top Mídia News procurou novamente a assessoria do HU, a assessora de imprensa Marcela ficou de enviar uma nota rebatando as denúncias, porém até o fechamento da matéria nenhum e-mail chegou. Ligamos novamente para os telefones do hospital e não fomos atendidos.







