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Bebê é salva pela mãe após cair em buraco de 2 metros: 'foi instinto'

Mesmo sem saber nadar, mãe pulou dentro do buraco para resgatar a filha que já estava se afogando

20 AGO 2019
G1
11h44min
Foto: Arquivo Pessoal/Carina Mercedes

Uma criança de um ano precisou ser socorrida após cair em uma vala cheia de lama e esgoto, com dois metros de profundidade, em Mongaguá, no litoral de São Paulo. A pequena Allana Kassandra Mercedes foi salva pela mãe, que mesmo sem saber nadar, pulou dentro do buraco para resgatar a filha que já estava se afogando.

O acidente aconteceu em uma vala à céu aberto localizada na Avenida Atlântica, no bairro Vila Atlântica. Mãe de Allana, Carina da Costa Mercedes afirma que a filha brincava na rua enquanto ela conversava com uma vizinha na frente de casa, até que ouviu o outro filho gritar pela mãe.

A criança mais velha, de dois anos e oito meses, alertou a mãe de que Allana havia caído na lama. Carina se aproximou do local e viu a filha aparecer na superfície, afundando rapidamente no esgoto, até que ela pulou para salvar a criança. "Eu nem sei nadar, foi instinto de mãe. Aconteceu tudo muito rápido, mas graças a Deus eu consegui ver onde ela estava".

Ao pular no buraco, Carina começou a tatear no fundo para tentar encontrar a criança. "Eu senti o corpo dela com meu pé, então desci até o fundo e peguei ela no colo, já estava desacordada. Tirei ela com a ajuda de vizinhos e fizemos massagem para reanimar, e foi então que ela vomitou um pouco de lama e começou a chorar. Fiquei muito aliviada".

"Eu queria levar ela daquele jeito mesmo para o hospital, mas uma vizinha disse que o cheiro estava muito forte, então jogamos uma água no corpo dela, coloquei uma roupa e levamos para o hospital. Na parte branca dos olhos da Allana, dava para ver um monte daqueles vermes de fossa", relata.

A menina foi levada, com a ajuda de vizinhos da família, para o Hospital Doutora Adoniran Corrêa Campos, localizado no Centro de Mongaguá. No hospital, no entanto, Carina afirma que funcionários se recusaram a atender a menina, orientando a família a voltar depois de sete dias, caso a menina apresentasse sintomas de febre.

"Eles não quiseram atender a minha filha. Fizeram um raio-x depois que eu insisti muito e confirmaram que ela estava com lama nos pulmões, e ela só ficou sob observação por duas horas. Ela tinha que ter passado por uma lavagem e ter ficado pelo menos 12 horas em observação, mas mandaram para a casa com os pulmões cheios de barro e água de esgoto", desabafa.

Problema antigo

Carina aponta que a limpeza e manutenção da vala aberta é uma antiga reivindicação dos moradores do bairro Vila Atlântica, que apontam que o buraco é repleto de lama e resíduos de esgoto. "Tem uns 10 anos que a gente quer uma resposta da prefeitura sobre isso. Estão esperando uma criança morrer para tomar uma atitude".

"Só o que queremos é que essa vala seja limpa e que coloquem alguma grade de segurança, que poderia evitar o que aconteceu com a minha filha. Tem uma parte que ainda é limpa por um morador, mas o outro lado é todo cheio de mato, não dá para ver que é um buraco de quase dois metros. Foi por um milagre que eu consegui salvar minha bebê", finaliza.

Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Mongaguá afirma que a vala da Avenida Atlântica, assim como todos os canais e valas abertos pela municipalidade, são sistemas de captação das águas das chuvas, e que por este motivo permanece aberta. De acordo com a Diretoria de Serviços Externos, há limpezas periódicas no local.

A administração explica que, quanto ao atendimento no Hospital Municipal, considerando ser conduta médica, a avaliação diagnóstica não acarretou internação, somente observação aproximada de duas horas. Não houve relatório negativo quanto ao estado de saúde do paciente. Na liberação, foi entregue para a mãe uma receita de medicação e a mesma foi orientada pela equipe de enfermagem a retornar à unidade numa eventual alteração de quadro.

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