O isolamento político da Venezuela e a postura cautelosa adotada pelo presidente Lula (PT) em relação ao regime de Caracas ajudaram a compor o cenário que antecedeu a ofensiva militar dos Estados Unidos realizada no sábado (3/1), avaliam integrantes da diplomacia brasileira.
Segundo auxiliares do governo, a ausência de posicionamentos mais firmes do Palácio do Planalto nos últimos anos reduziu a margem de reação regional e internacional diante da operação conduzida pela administração de Donald Trump.
Desde o agravamento da crise entre Washington e Caracas, Lula passou a adotar um discurso mais moderado, reiterando a condenação a intervenções militares e defendendo o diálogo diplomático como alternativa para lidar com a situação venezuelana.
Interlocutores do Planalto afirmam que esse ajuste de postura se insere no contexto de negociações sensíveis envolvendo a derrubada tarifas comerciais e sanções a autoridades brasileiras impostas por Trump.
Nesse contexto, a cautela de Lula em relação à Venezuela buscou preservar canais de diálogo e evitar novos atritos diplomáticos em um cenário internacional considerado instável.
Uma fonte do alto escalão do Itamaraty afirmou que a intervenção norte-americana em território venezuelano teve custo elevado e só se tornou viável com o apoio de agentes de inteligência dos EUA infiltrados em órgãos estratégicos de Caracas.
“Quem assume o poder no dia seguinte? Não existe uma alternativa viável de transição após essa intervenção”, avaliou a fonte.
Aliados de Lula destacam que, ao longo de quase 27 anos de chavismo, a oposição venezuelana concentrou esforços na derrubada do governo, sem apresentar um projeto político consistente. Segundo diplomatas brasileiros, esse grupo também passou a questionar de forma recorrente a legitimidade dos processos eleitorais, sob alegações de fraude.







