O economista Regis Feitosa Mota vive uma tragédia familiar, desde 2009, quando uma filha foi acometida com câncer, com apenas 12 anos. Ele perdeu outros dois filhos pela mesma doença e agora é ele quem luta contra a morte, causada por uma síndrome hereditária.
A filha de 24 anos, primeira a ser diagnosticada com leucemia linfóide aguda, a mais comum entre as crianças, se chamava Anna Carolina e perdeu a vida, no dia 19 de novembro.
Conforme o G1 Saúde, Anna se tratou por três anos, passando por quimio e radioterapia, disse Mota à BBC News. ‘’Depois disso ela ficou bem’’, detalhou o economista. No entanto, Anna Carolina morreu com um tumor no cérebro.
Antes disso, o economista perdeu a filha caçula Beatriz, em 2018, pelo mesmo tipo de câncer. A dor voltou dois anos depois, com a morte do filho Pedro, por causa de um tumor no cérebro. Este rapaz já tinha se tratado de outros tipos do câncer.
Em meio à dor da perda dos filhos, Regis Feitosa passou a se preocupar com a própria saúde. Desde 2016 ele se trata de um linfoma não Hodgkin, câncer que surge no sistema linfático.

Por quê?
Tantas ocorrências de câncer na família do economista são relacionados a um problema descoberto em 2016: a síndrome hereditária chamada ‘’Li-Fraumeni, causada por uma mutação genética, que aumenta em muito o risco de câncer.
Saúde
Antes de 2009, quando o primeiro caso foi descoberto na família, todos eram saudáveis, lembra Regis.
Os diagnósticos de Mota e do filho, além do de Anna Carolina recebera anos atrás, fizeram o pai de família refletir.
"Nesse momento, a gente passou a acreditar que esses três casos não poderiam ser coincidência. Nesse período decidimos que seria melhor investigar", diz Régis.
Ele e os três filhos — Anna Carolina e Pedro eram filhos do primeiro casamento e Beatriz, do segundo — passaram por exames genéticos em São Paulo.
"Os resultados mostraram que eu tinha uma alteração genética que, lamentavelmente, passou também para os meus filhos, e que potencializa o surgimento de câncer", conta o pai.
Outra observação mostra que, nenhum outro parente próximo dele tem essa doença. Regis diz que o pai tem 85 anos e a mãe, 78 anos e são saudáveis.
A médica geneticista, Maria Isabel Achatz, que estuda esse fenômeno há duas décadas, detalhou que a alteração ocorre no gene TP53. A chance de um pai transmitir a síndrome para um filho é de 50%.
Achatz observa que um portador dessa doença pode ter somente um tumor. No entanto, pode ter vários tumores independentes ou nunca ter um.
''Mas, em geral, é comum que tenham um histórico de diversos familiares que morreram de câncer'', explicou Maria Isabel.







