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29/11/2022 09:08

Dor em família: economista perde três filhos para o câncer e agora luta contra a doença

Ele sofre de uma alteração genética para passou para os descendentes

O economista Regis Feitosa Mota vive uma tragédia familiar, desde 2009, quando uma filha foi acometida com câncer, com apenas 12 anos. Ele perdeu outros dois filhos pela mesma doença e agora é ele quem luta contra a morte, causada por uma síndrome hereditária. 

A filha de 24 anos, primeira a ser diagnosticada com leucemia linfóide aguda, a mais comum entre as crianças, se chamava Anna Carolina e perdeu a vida, no dia 19 de novembro. 

Conforme o G1 Saúde, Anna se tratou por três anos, passando por quimio e radioterapia, disse Mota à BBC News. ‘’Depois disso ela ficou bem’’, detalhou o economista. No entanto, Anna Carolina morreu com um tumor no cérebro. 

Antes disso, o economista perdeu a filha caçula Beatriz, em 2018, pelo mesmo tipo de câncer. A dor voltou dois anos depois, com a morte do filho Pedro, por causa de um tumor no cérebro. Este rapaz já tinha se tratado de outros tipos do câncer. 

Em meio à dor da perda dos filhos, Regis Feitosa passou a se preocupar com a própria saúde. Desde 2016 ele se trata de um linfoma não Hodgkin, câncer que surge no sistema linfático. 

Três filhos do economista morreram de câncer

Por quê? 

Tantas ocorrências de câncer na família do economista são relacionados a um problema descoberto em 2016: a síndrome hereditária chamada ‘’Li-Fraumeni, causada por uma mutação genética, que aumenta em muito o risco de câncer. 
Saúde

Antes de 2009, quando o primeiro caso foi descoberto na família, todos eram saudáveis, lembra Regis.  

Os diagnósticos de Mota e do filho, além do de Anna Carolina recebera anos atrás, fizeram o pai de família refletir.  

"Nesse momento, a gente passou a acreditar que esses três casos não poderiam ser coincidência. Nesse período decidimos que seria melhor investigar", diz Régis.

Ele e os três filhos — Anna Carolina e Pedro eram filhos do primeiro casamento e Beatriz, do segundo — passaram por exames genéticos em São Paulo.

"Os resultados mostraram que eu tinha uma alteração genética que, lamentavelmente, passou também para os meus filhos, e que potencializa o surgimento de câncer", conta o pai.

Outra observação mostra que, nenhum outro parente próximo dele tem essa doença. Regis diz que o pai tem 85 anos e a mãe, 78 anos e são saudáveis.  

A médica geneticista, Maria Isabel Achatz, que estuda esse fenômeno há duas décadas, detalhou que a alteração ocorre no gene TP53. A chance de um pai transmitir a síndrome para um filho é de 50%. 

Achatz observa que um portador dessa doença pode ter somente um tumor. No entanto, pode ter vários tumores independentes ou nunca ter um. 

''Mas, em geral, é comum que tenham um histórico de diversos familiares que morreram de câncer'', explicou Maria Isabel. 

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