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15/09/2015 17:47

Em quatro dias, 23 crianças se afogam em travessias rumo à Europa

Apenas nos últimos quatro dias, ao menos outras 23 crianças morreram afogadas em travessias marítimas para a Europa, enquanto suas famílias tentavam escapar de conflitos e da pobreza.


Quatro estavam em uma embarcação de madeira que afundou nesta terça-feira no mar Egeu, na costa da Turquia, a apenas 2,5km da praia onde o corpo de Alan foi encontrado há duas semanas.


Segundo o governador da Província de Mugla, Amir Cicek, 271 pessoas estavam em um barco com capacidade para até 60 ocupantes. Ao todo, 249 foram resgatadas e 22 se afogaram.

No último domingo, 15 crianças, entre elas quatro bebês, morreram depois de um barco de madeira afundar próximo à ilha de Farmakonissi, na Grécia. O naufrágio deixou outras 19 vítimas, e cem pessoas foram resgatadas. Um dia antes, no sábado, quatro crianças se afogaram depois de um barco naufragar próximo à ilha grega de Samos. O próprio Alan não era a única criança do naufrágio que tirou sua vida. Seu irmão, Ghalib, de 5 anos, e mais três crianças estavam entre as vítimas.

O iraquiano Jay foi um dos sobreviventes do naufrágio de domingo passado. Os ocupantes da embarcação que naufragou teriam pago entre 1.250 euros e 1,5 mil euros (entre R$ 5,4 mil e R$ 6,5 mil na cotação atual) por um lugar no barco de madeira.
Jay disse ter conseguido ajudar alguns de seus ocupantes, mas sente-se culpado por aqueles que sucumbiram às ondas.
"Vi crianças morrendo, mulheres morrendo, e não pude fazer nada", afirmou à BBC.


Segundo Jay, os traficantes de pessoas sírios que conduziam a embarcação a afundaram de propósito, a golpes de martelo, para chamar a atenção de militares da ilha grega próxima.


Em entrevista à agência Associated Press, o imigrante sírio Mohamed Sheik, de 38 anos, contou ter cruzado o mar Egeu com sua família e visto metade dos integrantes de uma família se afogar. "Crianças estão morrendo. Todos os dias, 20 a 30 pessoas se afogam no mar", disse. Ele pede que autoridades europeias encontrem maneiras de dar algum porto seguro aos refugiados. "Eles precisam pôr fim (às mortes). Isso é o mais importante."


Fronteiras fechadas
A União Europeia vem lidando com um grande fluxo de imigrantes, muitos deles fugindo de conflitos e da pobreza em seus países. Na Síria, onde está em curso uma guerra civil há mais de quatro anos, o total de refugiados já ultrapassou os 4 milhões, segundo a Acnur (Agência da ONU para Refugiados).


Um dos destinos mais procurados pelos refugiados, a Alemanha anunciou estar aplicando medidas de controle temporário em sua fronteira com a Áustria para lidar com o fluxo de imigrantes. Viagens de trem entre os dois países chegaram a ser suspensas por doze horas.


Segundo o governo, o país está "no limite de sua capacidade". A Alemanha espera que 800 mil imigrantes cheguem a seu território neste ano.


O ministro do Interior, Thomas de Maiziere, disse que os refugiados "não podem escolher" em que país ficarão e pediu que outras nações da UE colaborem mais nesta crise migratória - a mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

O governo da Hungria também fechou sua fronteira com a Sérvia, com uma cerca de arame farpado, para impedir que imigrantes entrem na UE. Centenas de migrantes ficaram retidos no local.


Sob novas leis foram aprovadas com esse objetivo, a Hungria determinou que seja rejeitado qualquer refugiado que busque ajuda em sua divisa com a Sérvia.


A polícia do país bloqueou a linha de trem que cruzava a fronteira e foi usada por dezenas de milhares de imigrantes para entrar no país.


O ministro de Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, indicou que o país considera construir uma outra cerca, na fronteira com a Romênia.


Busca por consenso

Por sua vez, a rainha Rania, da Jordânia, pediu que os líderes europeus persigam uma política "holística e coesa" para lidar com a crise.


Em entrevista à emissora Sky News, a rainha disse que a chegada de 1,4 milhão de sírios – 630 mil registrados como refugiados - ao país provocou "enorme tensão" na economia da Jordânia.

"Isso é o equivalente a 20% de nossa população e tem afetado nossos serviços públicos, nossa infraestrutura e sobrecarregado nossa capacidade de lidar com a questão", disse ela.


"O ideal seria a busca por um consenso na Europa sobre como lidar com os refugiados. Isso encorajaria outras nações do mundo a se tornar parte da solução em vez de testemunharem silenciosamente o que está acontecendo."

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