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Geral

Ex-prefeita diz à PF que se escondeu em aldeia indígena

29 setembro 2015 - 18h12Por Estadão Conteúdo

A ex-prefeita de Bom Jardim (MA) Lidiane Leite da Silva (sem partido), que se entregou à Polícia Federal depois de ficar 39 dias foragida, disse em depoimento que estava escondida em uma aldeia indígena na cidade que governava. As informações são do portal G1.

Lidiane é suspeita de desvios de verbas da merenda escolar e fraude à licitação que podem alcançar R$ 15 milhões. A jovem prefeita exibia nas redes sociais imagens de uma vida de alto padrão para uma cidade de 40 mil habitantes à beira da miséria, com um dos menores IDHs do Brasil. Carros de luxo, festas e preocupação com a beleza, o que inclui até cirurgia plástica, marcam o dia a dia da moça que candidatou-se pela coligação "A esperança do povo".

Logo após a prisão, o advogado dela, Sérgio Muniz, disse que a ex-prefeita não saiu da cidade. Para o delegado PF Ronildo Lajes, responsável pelo caso, a declaração é uma "manobra" da defesa.

— Isso de ela estar lá na cidade não existe. Isso foi manobra do advogado para querer dizer que ela não estava em fuga — disse, em entrevista ao G1.

— Foram feitas diversas diligências lá no município. Ele [Sérgio Muniz] chegou a dizer que ela não estava lá e que ela estava governando lá. Isso não existe. Ela sabia que era procurada. Todo mundo estava atrás, fazendo diligências. Ele, simplesmente, quis negar que ela estivesse foragida — completa.

A polícia acredita que Lidiane estava em uma propriedade rural em outra cidade. A atitude da defesa, segundo o delegado, seria para encobrir a participação de amigos ou parentes no sumiço da ex-prefeita.

— Ela disse que estava numa aldeia indígena de Bom Jardim, mas essa possibilidade a gente acredita que é remota, e a gente acredita que ela possa estar tentando esconder uma pessoa que pudesse estar ajudando — declarou Lajes.

Diligências complementares vão ser feitas para encontrar possíveis comparsas de Lidiane Leite.

— Fato é que havia, sim, uma pessoa orientando. Isso a gente tem certeza. A gente vai tentar, agora, ver se identifica — completa.

Na entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, o delegado Ronildo Lajes falou sobre as buscas feitas na região.

— As diligências foram feitas sim na cidade e no interior de Bom Jardim, mas é claro que o advogado está no papel dele de tentar amenizar as coisas para a investigada. De fato, ela estava foragida, e não tem como alguém afirmar que ela estava governando em Bom Jardim — disse.

Lidiane Rocha passou a primeira noite presa em um alojamento do Corpo de Bombeiros com ar condicionado. O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Célio Roberto Araujo, afirmou que não há celas para mulheres no quartel. Por isso, Lidiane está em um alojamento com duas camas de solteiro e uma porte de vidro e ferro. Segundo ele, foram retirados frigobar e televisão do local.