Menu
Busca sábado, 30 de maio de 2020
camara municipal
Geral

Há 80 anos, goleada por 8 a 0 do Palmeiras derrubou presidente do Corinthians

Rivalidade

05 novembro 2013 - 14h57Por ESPN

Os efeitos da goleada por 8 a 0 do Palestra Itália sobre o Corinthians atestam a dimensão da partida disputada no dia 5 de novembro de 1933. Ainda que os clubes fossem jovens, a rivalidade já era acirrada, a ponto de a maior goleada da história do clássico ter provocado a renúncia de Alfredo Schurig, então presidente alvinegro.

Romeu Pellicciari, um dos grandes ídolos palestrinos, comandou o triunfo de maneira impiedosa ao anotar metade dos gols do time da casa, enquanto Imparato contribuiu com três tentos e Gabardo anotou mais um. A derrota no Parque Antárctica é, até hoje, a maior da história corintiana.

"Uma grande tarde de Romeu", estampou o suplemento esportivo do jornal A Gazeta em sua edição de 6 de novembro de 1933. "Toda a classe e superioridade do alviverde traduziram-se em tentos frente a um Corinthians frágil e tímido, o que constituiu uma contagem recorde para o clássico encontro", noticiou o periódico.

De acordo com o jornal, o placar da partida disputada há 80 anos, pelo Campeonato Paulista, poderia ter sido ainda mais dilatado. "Todos foram a campo certos da victoria do Palestra, prevendo mesmo uma contagem grave. Contudo, a decepção corinthiana foi muito além. O quadro bancou a ovelha... E os oito tentos podiam ser mais... É esta a dolorosa verdade".

Para a Gazeta, a "contagem esmagadora e, quiçá, humilhante" foi em parte resultado da postura dos próprios atletas do Corinthians. Os alvinegros, segundo o periódico, já entraram em situação emocional desfavorável e não souberam como reagir diante dos primeiros gols sofridos.

"Os jogadores, antes de tudo, sentem-se desmoralizados. Hontem, foram tímidos, parecendo que pisaram o gramado já batidos, antes mesmo de ter sido dada a sahyda", noticiou a publicação. "A rapaziada, ante a fatalidade da derrota que se esboçou logo que a bola foi movimentada, submeteu-se resignadamente ao sacrifício", relatou o jornal.

Apesar da goleada, o clássico, apitado por Haroldo Dias da Mota, transcorreu de maneira cavalheiresca. "Uma partida rica de disciplina", precisou A Gazeta. Diante de um Corinthians apático, Romeu Pellicciari e seus companheiros causaram a maior derrota da história do adversário.

"A partida valeu apenas pela exhibição academica do Palestra, que jogou como quis, pondo a descoberto toda a bondade da classe de seus jogadores, que demonstraram que se encontram todos em boas condições physicas, muito apurados technicamente, e com um moral superior", relatou o periódico.

Pellicciari, por sua vez, mereceu elogios especiais. "Defesa, médios e avantes jogaram numa mesma linha de valor. O maior destaque foi de Romeu, activíssimo em todo o transcorrer da partida, o cérebro da turma, um realizador excepcional", opinou o jornal.

 

Ao analisar individualmente a atuação de cada jogador, a publicação informa que o goleiro Onça poderia ter evitado apenas os dois últimos gols, absolvendo o guarda-metas alvinegro nos outros tentos. Para completar a tarde de sucesso do Palmeiras, o Segundo Quadro já havia vencido o rival por 4 a 0.

"Depois do jogo, os torcedores e jogadores se dirigiram à sede do clube. Os atletas foram agraciados com uma sopa, esse era o prêmio pela vitória. Dizem que, em uma extravagância, a diretoria serviu vinho a todos. No caminho, os palestrinos gritavam ‘oito, oito, oito' no bonde", diz Jota Christianini, diretor do Departamento de Acervo e Memória Histórica do Palmeiras.

Para os corintianos, o dia seguinte foi marcado por intensos protestos. Houve a distribuição de um "manifesto, com dizeres extremistas, concitando os associados a irem à noite na sede para depor a directoria", o que levou o clube a chamar a polícia. Pressionado, Alfredo Schurig, nome oficial da Fazendinha, anunciou o "pedido de demissão colectiva" de sua chapa.

Leia Também

PÁGINA VIRADA: sem constrangimento, Willian Waack comenta protesto de negros nos EUA
Geral
PÁGINA VIRADA: sem constrangimento, Willian Waack comenta protesto de negros nos EUA
PF diz ao STF que vai ouvir Bolsonaro por causa das acusações de Moro
Geral
PF diz ao STF que vai ouvir Bolsonaro por causa das acusações de Moro
Moro sugere que Bolsonaro usou lei anticrime para proteger o filho Flávio
Cidades
Moro sugere que Bolsonaro usou lei anticrime para proteger o filho Flávio
Maia diz que Bolsonaro não 'comprou' Centrão: 'relação democrática'
Geral
Maia diz que Bolsonaro não 'comprou' Centrão: 'relação democrática'