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Jovem estuprada em MS só consegue aborto três meses depois e em Pernambuco

Vítima relata ter atendimento negado em unidades de saúde de Campo Grande e recorreu a ONG de Brasília

10 setembro 2018 - 15h13Por Amanda Amaral

Jovem de 25 anos, vítima de estupro, conseguiu ter acesso ao procedimento de aborto legal após três meses e meio de gestação e a 3.054 km de onde o crime ocorreu. De Campo Grande até o desfecho em Recife, Capital do Pernambuco, a história é relatada em matéria publicada pelo Jornal do Commercio.

Conforme a publicação, o estupro ocorreu em junho, na Capital de Mato Grosso do Sul, quando a jovem voltava de uma festa e teria sido atacada por um motorista de aplicativo de caronas pagas. Mesmo após os registros do crime na polícia, ela relata ter passado três semanas posteriores de sequência de negativas para ter o acesso à interrupção da gravidez indesejada.

Apesar de a legislação prever o direito da vítima nesses casos, ela relata ter o atendimento negado em duas unidades de saúde, uma delas referência regional, mas que não foi citada na matéria. Conforme a publicação, a justificativa dada pelo serviço foi a de que um dos profissionais da equipe não aceitava fazer o procedimento. Também não foi especificado se, anteriormente, ela chegou a tomar coquetel medicamentos que impedem a gestação e doenças sexualmente transmissíveis.

Através de rede social e já com três semanas de gestação, ela recorreu ao Instituto de Bioética Anis, organização não governamental de Brasília que auxilia especialmente mulheres em situação vulnerável e vítimas de estupro. Foi então feito o intermédio entre o instituto e o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), em Recife.

A jovem, de origem humilde, teria chegado sozinha, de madrugada, no Aeroporto Internacional da Capital pernambucana, na última quinta-feira (6), já com 14 semanas de gestação, três meses e meio. Representantes da Anis encontraram a garota no aeroporto e a levaram para o hospital, onde foram iniciados os procedimentos médicos para o aborto.

Durante quatro dias ela foi acompanhada pela equipe médica, tomou a medicação indicada e, após a expulsão do feto, fez uma curetagem. Foi o primeiro caso, segundo apuração do jornal, que o Cisam realizou o procedimento de vítima de fora do estado.

A jovem já teria recebido alta médica e retornado a Mato Grosso do Sul, em bom estado de saúde. A reportagem não encontrou informações sobre a autoria e as circunstâncias do crime relatado pela vítima. 

MS

Em Campo Grande, as unidades que fazem atendimento à essas vítimas são Hospital Regional e Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, que recebem pacientes de todo o Estado.

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde)  respondeu ao TopMídiaNews que as unidades referências do procedimento em Mato Grosso do Sul não são de responsabilidade da pasta, e que não pode se posicionar a respeito já que outra unidade que teria sido consultada pela vítima, municipal ou não, não foi mencionada na reportagem.

Entretanto, a secretaria afirma que irá reforçar as orientações para as equipes de saúde sobre o fluxo de atendimento e até mesmo a obrigação de cumprimento da legislação que prevê o aborto legalizado. "O fluxo de atendimento nas unidades de saúde da SESAU quando uma mulher vítima de violência solicita o aborto legalizado é registrar a notificação e encaminhar a paciente para as unidades de referência onde o procedimento é realizado, após acompanhamento com profissionais médicos e psicólogos. Vale destacar então, que o aborto legalizado não é realizado em nenhuma unidade de saúde da Sesau", completa a nota. 

A reportagem também tentou entrar em contato com a SES (Secretaria Estadual de Saúde), com a ONG Anis e o hospital pernambucano, Cisam, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.