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Liberação de crédito agrícola está em atraso, afirma Fernando Pimentel

18 outubro 2015 - 10h31Por Sociedade Nacional de Agricultura

As contratações do crédito rural para custeio, comercialização e investimento da safra 2015/16 somaram R$ 40 bilhões nos meses de julho e setembro deste ano, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), divulgados no último dia 9 de outubro.

A quantia representa, até agora, 21% dos R$ 187,7 bilhões disponibilizados no Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para o atual ciclo agrícola.

Para o diretor da Sociedade Nacional de Agricultura Fernando Pimentel, há um atraso nas contratações de crédito, ainda que o Mapa aponte para um incremento de 35% (R$ 13,1 bilhões) em relação a igual período da safra passada.

Segundo ele, muitos produtores rurais até conseguiram assinar o contrato de financiamento, mas o dinheiro não entrou ainda em suas contas ou tiveram seus limites reprovados pelas instituições financeiras.

“Este atraso é preocupante porque, além da avaliação de crédito aplicada pelos operadores do SNCR (Sistema Nacional de Cadastro Rural) estar muito mais restritiva, no diz respeito às garantias e até na exigência de comprovação de hedging, os valores não se elevaram na mesma proporção do aumento do custo de produção”, analisa.

As hedgings são operações de compra e vendas destinadas a proteger os negócios ou ativos de empresas ou indivíduos contra uma mudança nos preços, reduzindo, desta forma, os riscos de perdas financeiras.

De acordo com Pimentel, produtores com elevado percentual de arrendamento estão tendo dificuldades de aprovar o crédito.

“Até os produtores de rating melhor (nota que as agências internacionais de classificação de risco de crédito atribuem a um emissor) estão observando atrasos na liberação e muitos receberam aprovação em setembro, muito próximo do período de plantio”, comenta Pimentel.

Em sua opinião, “vamos ver algumas safras com certos problemas, com redução drástica das áreas de culturas de custeio muito elevado, a exemplo do algodão, e muitos casos em que o produtor terá de baixar o nível de tecnologia, por causa do custeio limitado”.

 

REGIÕES

Dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor) do Banco Central mostraram que, nos meses de agosto e setembro, os recursos de custeio foram mais procurados por agricultores do Sul (40%), Centro-Oeste (26%) e Sudeste (23%).

“Estas regiões são mais ativas historicamente. No caso do Sul, os produtores sempre operam o custeio total no sistema financeiro, enquanto no Sudeste e Centro-Oeste já existe a presença de bancos que não operam no Sicor e com o crédito de fornecedores (indústria de insumos).”

 

BANCOS

Segundo o Ministério da Agricultura, os bancos privados responsáveis pelos contratos com os produtores mostraram, em agosto e setembro, uma retração de 2% na oferta do crédito rural.

“O custeio agropecuário não foge à regra geral de crédito dos bancos. Critérios mais restritivos vão limitar recursos para os perfis de produtores de maior risco para o agente financeiro.

Isto está sendo visto em outros setores da economia. No caso do agropecuário, tem sido até mais ameno que em outros segmentos”, pondera Pimentel.