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Mãe lança campanha na web para ajudar filha de 3 anos voltar a ouvir

Flavinha nasceu com surdez profunda e fez implante coclear

13 NOV 2016
O Globo
10h26min
Foto: Renata de Oliveira/Arquivo Pessoal

Com apenas três anos, a pequena Flávia de Oliveira Nania, nasceu com surdez profunda, já passou por duas cirurgias e, com um ano e cinco meses precisou colocar um dispositivo eletrônico no ouvido para poder escutar sons. A operação é conhecida como implante coclear. O problema é que, em junho deste ano, a garotinha que mora em Praia Grande, no litoral de São Paulo, perdeu os aparelhos que ficam do lado de fora do ouvido e que permitem que ela escute. Cada sensor externo custa mais de R$ 36 mil. A família até conseguiu um empréstimo de outros aparelhos, mas eles devem ser devolvidos até 8 de dezembro e a menina ficará sem ouvir novamente.

A mãe da criança, Renata Oliveira, lançou nesta semana a campanha 'As Cores dos Sons' nas redes sociais para tentar arrecadar a quantia necessária e comprar um aparelho definitivo. Em poucos dias, ela já conseguiu R$ 14 mil e corre contra o tempo para conseguir o dinheiro.

Os aparelhos auditivos são importantes para o desenvolvimento da criança. "Logo depois que ela perdeu o aparelho na escola, a fonoaudióloga considerou que ela regrediu praticamente um ano no tratamento que vinha fazendo", explica.

Cada aparelho auditivo que a menina precisa usar custa R$ 36.666 mil. A escola onde Flavinha estuda irá fornecer um e, o outro, a família terá que pagar. “Minha mãe foi buscar ela na escola e percebeu que a Flávia estava sem o aparelho, na mesma hora ela me ligou e eu saí correndo do trabalho. Chegando na escola, procuramos em todos os lugares e nada. A direção ligou para todas as mães de outros alunos e o aparelho também não estava com ninguém”, conta.

Apesar da deficiência, Flavinha tem um dia a dia bastante agitado. Duas vezes por semana ela vai à fonoaudióloga, para a escola e a natação. "Com tudo isso, ela está sempre aprendendo novas coisas, entendo os sons e emitindo novas palavras", descreve a mãe.

“Cada som é uma conquista, cada palavra é uma vitória. Quando soube que ela perdeu o aparelho fiquei desesperada, porque sei o valor que isso tem pra ela. Estou sempre preocupada com o futuro da minha filha, na escola, na sociedade”, afirma.

Apesar de já falar algumas palavras, Renata contou que Flavinha ainda não tem uma comunicação boa, por isso, continua fazendo terapia com a fonoaudióloga e exercícios diários para o desenvolvimento da fala. “Como eu trabalho o dia inteiro, minha mãe dedica suas manhãs para exercitá-la e, durante as noites, eu me dedico a ela”, explica.

A campanha criada por Renata para ajudá-la a pagar o aparelho da filha foi nomeada de ‘As Cores dos Sons’ porque é o título de uma música que o tio-avô da garota escreveu para ela. Os interessados em ajudar podem obter mais informações neste site e o dinheiro é depositado em uma conta no nome da Flávia.

“Fiz a conta no nome dela, todo dia eu atualizo nas redes sociais quanto já conseguimos arrecadar e assim que atingirmos a meta, vou encerrar a conta. O objetivo é apenas conseguir comprar o aparelho da minha princesa”, ressalta.

Renata tem menos de um mês para juntar o dinheiro que precisa. A corrida contra o tempo, no entanto, não a preocupa. Ela afirma que está confiante. “Hoje eu tenho certeza que minha filha pode conquistar tudo o que quiser, sem limites. Eu estarei sempre com ela, para dar suporte e apoio, cair e levantar, sempre”, conclui.

A descoberta

Renata de Oliveira, mãe da Flavinha, contou que sua gravidez foi normal e muito tranquila, logo que a bebê nasceu foram feitos todos os exames, como o da orelhinha e do pezinho, todos os resultados foram satisfatórios.

“Comecei a prestar atenção no dia a dia. Vi que a minha bebê não se assustava quando um cachorro latia, por exemplo. O meu ‘estalo’ foi quando ela tinha seis meses de vida e na minha rua estouraram fogos de artifícios e todos levaram um susto. Menos ela, que continuou dormindo. Foi quando percebi de verdade que minha princesa é surda”, explica emocionada.

Após uma primeira pesquisa na internet, Renata levou sua filha ao pediatra que a encaminhou para um otorrinolaringologista e, depois de muitos exames, consultas e testes, diagnosticou a pequena com surdez profunda e bilateral, ou seja, ela não escutava absolutamente nada. "Apesar do choque na época, depois do implante ela evoluiu muito. Os médicos sempre diziam que a primeira vez que ela escutasse, a Flavinha teria medo, mas não foi assim. Eu me lembro que ela escutou e sorriu pra mim. Fiquei muito emocionada. Por isso peço a colaboração das pessoas, para manter a alegria da minha filha".

 

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