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Mãe pede socorro para manter criança de quatro anos viva

05 dezembro 2015 - 15h16Por Mariana Anunciação

Helena Cristina de Paiva Ramos, 42 anos, está empenhada em chamar a atenção das autoridades para o caso da sua filha, de quatro anos de idade, diagnosticada após os três meses de vida com Pneumopatia Intersticial, uma doença pulmonar grave. Ela alega que o ex-marido francês, que mora em Parati (RJ), descumpre as ordens médicas descritas pelo próprio Conselho Tutelar e que tem provas dos riscos que a filha está correndo.


Para agravar a situação, apesar de aparentar ser saudável, tudo indica que a menina também sofre de refluxo e intolerância a lactose, conforme os laudos médicos de especialistas na área. Diante disso, há diversas restrições na alimentação, postural e comportamental. Por exemplo, beber água apenas após 1h das refeições, tomar determinados medicamentos, evitar ou ter cuidados especiais com brincadeiras como pula-pula, balanço e utilizar alguns produtos dietéticos.


A mãe contou que a criança já dependeu do uso de cilindro de oxigênio dos 3 meses até quase 1 ano de idade. “Um pai que zela e ama, cumpre as ordens médicas. Ela não pode sofrer intercorrências, precisa ser preservada até os 8 anos idade, quando seu pulmão deverá estar  formado. Caso contrário, minha filha precisará de um transplante ou poderá até morrer. Toda vez que volta das visitas dele, ela fica pior. Como ela vai ter melhora, desse jeito?”, desabafou.

Foto: Geovanni Gomes


Separados desde 2011, Helena disse que ao estabelecer visitas assistidas, o pai teria se ausentado por cerca de 8 meses. Com isso, a melhora teria sido visível, com laudos médicos de oxigenação positivos. Dentre as críticas ao comportamento do pai, está o fato dele oferecer “Toddynho” à menina sendo que ela é intolerante à lactose, deixá-la ficar por cerca de 1h no Rio Formoso, em Bonito (MS) durante garoa e correr junto aos pombos.


A mãe explicou que a justificativa do pai é que a filha "deve viver" e ela a estaria privando disso. “Foi realizada uma perícia médica determinada por uma juíza de Campo Grande. A médica sem especialização em gastro discorda que ela tenha restrição alimentar. Então pode comer de tudo, discordando da médica especialista dela e de todos os estudos na área”, contou a mãe, ao afirmar que antes desse laudo o pai já descumpria tais determinações.

Foto: Geovanni Gomes

 

Helena falou que não desistirá porque o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) diz que crianças e adolescentes devem ter o seu direito à vida e à saúde protegido com prioridade. “Me pergunto como um pai que descumpre ordens médica, que o MPE (Ministério Público Estadual) constatou que ele cometeu seis crimes contra a criança, com carta do pai dele alertando que sofre de problemas comportamentais, com o CID grave dela, histórico de violência doméstica, como ele não responde por nada disso?”, argumentou.


Diante disso, a mãe diz que fará de tudo para a justiça proteger a vida da sua filha, inclusive, está em contato com a Comissão de Direitos Humanos na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para ver se consegue alguma intervenção e, se necessário, recorrerá à justiça internacional.


Como o celular do pai da criança estava desligado, a equipe de reportagem tentou entrar em contato via e-mail e redes sociais. Também ligou e enviou e-mail para a defesa. Mas ninguém respondeu até o fechamento da matéria.