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quinta, 27 de janeiro de 2022 Campo Grande/MS
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Mãe relata transição do filho trans de 7 anos em rede social

A conta possui mais de 16 mil seguidores, onde são compartilhados trajetória e rotina da dupla

02 dezembro 2021 - 14h06Por Antonio Bispo

Moradores de São Paulo, mãe e filho, de 34 e 7 anos, dividem a história sobre a transição do garoto, realizada aos 4 anos de idade, no perfil criado em uma rede social que já conta com mais de 16 mil seguidores.

Para o site Metrópoles, Jaciana contou que tudo começou há três anos quando, à época, foi chamada na escola da filha para que encaminhasse a criança para um tratamento contra depressão.

O primeiro desejo atendido para que tudo melhorasse era de ser tratado como menino. Depois, houve a troca de todo o guarda-roupa e escolha de um novo nome.

O menino recuperou a alegria de ser uma criança e disse que queria ser um youtuber. Para atender esse desejo, veio a ideia da mãe de criar o perfil na rede social.

@jacianaegustavinho é a combinação do nome de mãe e filho, além de adequar às normas da rede que somente permite a entrada de pessoas maiores de 13 anos.

A conta foi criada em maio de 2020 e, os mais de 16 mil seguidores, acompanham coreografias, dublagens e brincadeiras típicas de perfis infantis. Entretanto, a mãe também aproveita para utilizar o espaço como referência para outros transexuais mirins.

Ela conta que já ajudou outras 35 mães, dando dicas sobre como obter atendimento médico especializado e serviços jurídicos.

“Eu permiti o perfil porque ele tem o mesmo direito que toda criança. Mas não deixo que acesse a tudo, porque, querendo ou não, do mesmo jeito que as redes sociais ajudam, elas são muito tóxicas”, contou Jaciana.

Entretanto, ela conta que também recebe frequentemente ataques por meio de mensagens privadas.

“É só porque ele é trans. Existem milhões de crianças que desde bebês possuem perfis, que os pais tiram fotos e ganham com isso, e nunca existiu polêmica”, argumentou.
A atendente explicou, ainda, que o processo começou quando o filho ainda era muito novo.

“Com 2 anos, ele passou a rejeitar tudo que era feminino. Nessa época, eu não entendia absolutamente nada sobre crianças trans. Nem sabia que isso era possível”, lembrou.

A mulher de 34 anos é lésbica e nasceu em Cajazeiras, na Paraíba, e foi criada em uma família evangélica. No entanto, abandonou a cidade natal, onde chegou a desmaiar após receber uma surra da avó por dizer que “gostava de uma menina”.

Transição

Jaciana contou sobre a descoberta do desejo do filho em transicionar e rejeitar a identidade feminina.

Uma atendente do colégio questionou a então garota o que poderia fazer para que ela se sentisse melhor e ouviu como resposta: “A senhora me tratar como menino. Porque eu não sou uma menina, sou um menino.”

Desde então, a família passou a fazer progressos, mas não deixou de sofrer episódios de transfobia, como, por exemplo, a escola impor dificuldades em respeitar o nome social de Gustavo.

Eles decidiram se mudar para São Paulo, onde o garoto recebe atendimento psicológico, psiquiátrico e pediátrico no ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual do Instituto de Psiquiatria, do Hospital das Clínicas - HC.

“Não existe isso de induzir uma criança a ser trans. Ela nasce trans. O que existe são pessoas que nascem em uma família tóxica, na qual desde criança explicam que ‘homem tem que ser homem, mulher tem que ser mulher’ e, se você for diferente disso, vai apanhar”, concluiu Jaciana.