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Cesárea ou normal? Quem deve escolher? Assunto divide especialistas em MS

Deputado sugere o “direito de escolha”; profissionais enxergam medida com cautela

11 AGO 2019
Maressa Mendonça
13h30min
Katucha durante o nascimento da pequena Maya Foto: Arquivo Pessoal

Projeto em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul permite às grávidas escolherem pela cesariana, a partir da 39ª semana de gestação. O debate não está ocorrendo só no Estado e divide opiniões. De um lado, os médicos e profissionais que temem pelo aumento excessivo do número de cesarianas e do outro os defensores do direito de escolha da mulher.

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, é um dos que demonstra preocupação com o assunto. Ele atuou como ginecologista e obstetra durante muitos anos e vê com receio a ideia da “escolha” por parte da gestante. 

“Acho que não tem como prosperar um projeto desse naipe porque você interfere naquilo que é crucial na profissão de médico. O médico não pode ser sujeito à posição da paciente. Isso contraria toda a lógica da atividade médica”, diz. 

O secretário municipal de Saúde, José Mauro Pinto de Castro Filho, lembrou das recomendações do Ministério sobre o incentivo ao parto normal, mas acha que a opinião da gestante também deve ser considerada. “Realmente há uma discussão a ser feita a respeito de um direito pessoal da mulher. Mas [o projeto] deve ser discutido, debatido para ver a viabilidade”. 

A cabeleireira Katucha Oliveira, de 31 anos, tinha o sonho de ter um parto “normal”, mas após horas de trabalho de parto, os médicos, juntamente com ela, perceberam que a cesariana era a melhor opção. “Foi respeitosa, no Hospital Universitário”, lembra ela, opinando que a unidade está bem adiantada no quesito humanização do parto, ou seja, evitando intervenções desnecessárias. 

“Teve música, clampeamento tardio do cordão umbilical, bebê direto para mim, sem banho nas primeiras 12 horas, sem intervenções desnecessárias”, detalhou. 

A doula aposentada Maria Maia, de 62 anos, comenta que a cesariana foi muito banalizada nos últimos anos, mas aos poucos muitas mulheres estão compreendendo se tratar de uma cirurgia nem sempre necessária.  

Em se tratando desse direito de escolha, ela opina que o melhor caminho é a informação, a gestante saber quando a cesariana é desnecessária ou quando é a melhor opção para a mãe e o bebê. 

“Foi a via de nascimento que trouxe a Maya para mim e sou grata a toda equipe que estava conosco. Mas reforço sempre a necessidade de todas as mulheres lerem muito sobre esse assunto e deixarem seus bebês escolherem o dia e a hora de nascer, quando a cesárea não for uma indicação real”, finaliza Katucha. 

Katucha durante o nascimento da pequena Maya
Katucha durante o nascimento da pequena Maya / Arquivo Pessoal
Katucha durante o nascimento da pequena Maya

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