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Geral

'Meu irmão não era gay': família contesta uso de caso Wesner em causa contra homofobia

Apesar de saber de comoção e agradecer boa intenção, ele contestou o uso da história para causas

21 fevereiro 2017 - 07h00Por Liziane Berrocal

“Meu irmão não era gay”. A frase de Luciano Silva é clara. Apesar de saber que há muita boa intenção em divulgar o caso de Wesner Silva, que aos 17 anos foi  vítima de violência por parte do patrão Thiago Demarco Sena e do colega de trabalho Willian Larrea, o irmão contesta a história.

Wesner foi morto após os dois, Thiago e Willian, colocaram uma mangueira em direção ao ânus do rapaz o que acabou causando lesões graves no menino. Ele teve parte do intestino grosso retirado, ficou internado em estado greve, apresentou breve melhora, porém não resistiu aos procedimentos e faleceu no último dia 14 na Santa Casa da Capital.

Considerado um sonhador, Wesner era querido pelas pessoas. Ele estava em seu primeiro emprego e como qualquer adolescente, sonhava em ter um carro, pagar sua habilitação e e ainda ajudar a mãe em casa. E mesmo sabendo, que muitas vezes, as pessoas querem justiça para o caso, Luciano explica que o irmão tinha namorada.

“Só vi uma vez essa notícia e falamos não ele não era gay, tinha até namorada”, conta ele.

Repercussão nacional

Brasil e mundo agora, movimentos anti-homofobia e feministas na internet trataram o caso como de homofobia, devido ao fato de ter envolvido uma violência com a mangueira de ar comprimido direcionado para o ânus do rapaz.

O delegado responsável pelo caso, Paulo Sergio Lauretto, da DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) explicou que em depoimento, Wesner, afirmou que a agressão foi por cima da calça, porém, que ainda assim, solicitou perícia nas vestes e também o corpo delito.

“Ele (Wesner) falou que foi por cima da calca mas pode ter mentido em razão do constrangimento. Agora, estamos esperando os laudos periciais do corpo de delito e das vestes”, explicou.

Sobre ter sido um caso de homofobia, Lauretto afastou a tese. “Não ouvi nada a respeito, não tem essa tese”, finalizou. Os dois foram indiciados por homicídio doloso e não mais lesão corporal grave, como inicialmente havia ocorrido. 

O pedido de prisão contra Thiago e Willian foi negado pelo juiz Carlos Alberto Garcete, e agora a decisão ficará por conta do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.