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terça, 22 de setembro de 2020
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Militares da Venezuela desertam na fronteira com o Brasil em RR

Dois sargentos entraram em Pacaraima (RR) na noite de sábado, e estão alojados em um abrigo destinado a refugiados venezuelanos

24 fevereiro 2019 - 12h48Por G1

 

Dois militares da Guarda Nacional Bolivariana desertaram pela fronteira da Venezuela com o Brasil. São dois sargentos, que chegaram na noite de sábado e estão alojados no abrigo para refugiados de Pacaraima, disse o coronel do Exército brasileiro Georges Feres Kanaan neste domingo (24).

O dois sargentos são os primeiros militares venezuelanos a desertar do regime de Nicolás Maduro pela fronteira brasileira. No sábado, mais de 60 abandonaram o próprio país para a Colômbia, em uma dia de confrontos entre apoiadores do presidente venezuelano e opositores que deixou ao menos 3 mortos e centenas de feridos.

“Estamos aqui no posto de triagem da Operação Acolhida e ontem à noite dois militares da guarda nacional venezuelana se apresentaram como refugiados”, disse Kanaan, que é coordenador-adjunto da Operação Acolhida, voltada a receber os venezuelanos que deixam o país vizinho em direção ao Brasil.

Segundo Kaan, os dois militares estavam uniformizados e entraram no Brasil a pé, por um local não identificado, e pediram refúgio. "Nossa preocupação foi o acolhimento, para eles sentirem que estão sendo acolhidos. O tratamento dado a eles é como para qualquer outro solicitante de refúgio”, disse.

Os dois militares, que estavam desarmados, disseram a autoridades brasileiras que decidiram desertar após os confrontos de ontem entre venezuelanos e soldados da guarda nacional na fronteira com o Brasil, e após conflitos em Santa Helena de Uairén, que deixaram 3 mortos segundo um a médica venezuelana.

Os desertores afirmaram às autoridades ainda que outros militares venezuelanos pensam em fugir do país.

Manhã tranquila após tarde de confrontos

A Venezuela fechou a fronteira com o Brasil na noite de quinta-feira (21), por ordem do presidente Nicolás Maduro, para evitar a entrada de ajuda humanitária. Os dois primeiros caminhões com alimentos e remédios chegaram até Pacaraima no sábado (23), mas não puderam entrar na Venezuela e foram recolhidos.

Após a retirada dos caminhões, venezuelanos que estavam do lado brasileiro atacaram uma base venezuelana no território do país vizinho. Os militares venezuelanos reagiram e segundo o coronel Jacaúna, comandante da Operação Acolhida, lançaram bomba de gás e dispararam com arma de fogo, inclusive contra o território brasileiro.

Na manhã deste domingo, a situação é tranquila na região da fronteira, que permanece fechada. Algumas pessoas circulam pelo local, e os militares venezuelanos fazem uma barreira a cerca de 800 metros da linha que divide os dois países, como vêm fazendo desde sexta-feira.

Diferentemente do que ocorreu nos dias anteriores, entretanto, a bandeira da Venezuela não foi hasteada. No sábado, ela foi retirada por manifestantes no momento do conflito.

Apesar do fechamento na fronteira, venezuelanos continuam a entrar no Brasil por meio de caminhos alternativos, chamados de trincheiras, onde não há controle quer de um lado, quer do outro.

Brasil condena 'ditador Maduro'

Na madrugada deste domingo, o Itamaraty emitiu uma nota condenando os atos de violência na Venezuela.

O texto criticou "os atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro" ocorridos no sábado, nas fronteiras com o Brasil e com a Colômbia, chamou o governo de Maduro de "criminoso" e apelou à comunidade internacional para "somarem-se ao esforço de libertação da Venezuela".

"O uso da força contra o povo venezuelano, que anseia por receber a ajuda humanitária internacional, caracteriza, de forma definitiva, o caráter criminoso do regime Maduro", afirma nota divulgada pelo Itamaraty na madrugada deste domingo.

O governo brasileiro diz que os ataques são "um brutal atentado aos direitos humanos" e que "nenhuma nação pode calar-se". "O Brasil apela à comunidade internacional, sobretudo aos países que ainda não reconheceram o presidente encarregado Juan Guaidó, a somarem-se ao esforço de libertação da Venezuela", afirma o governo brasileiro.

 

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