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01/02/2022 15:14

Mulher é resgatada após trabalhar por 32 anos como escrava em casa de pastor

A família discorda da denúncia, pois alega que ela era tratada "como se fosse uma filha"

Mulher, com identidade não revelada, foi resgatada da casa de um pastor de Mossoró (RN), após trabalhar por 32 anos na residência em situação análoga à escravidão.

De acordo com o site UOL, auditores fiscais do trabalho descobriram que ela chegou na residência da família aos 16 anos de idade, sofrendo abuso e assédio sexual do empregador, identificado como Geraldo Braga da Cunha, pastor da Assembleia de Deus da cidade.

Uma denúncia foi feita por rede social e, após verificarem a situação, constataram que a mulher era responsável pelos serviços domésticos da casa em troca de moradia, alimentação, roupa e alguns presentes.

Entretanto, ela nunca teve salário, conta bancária e não tirava férias ou interrompia os afazeres nos finais de semana.

Assim, a equipe de fiscalização considerou o trabalho forçado, condições degradantes e jornadas exaustivas.

"Da família"

A família composta pelo pastor, esposa e quatro filhos, discordam da caracterização de trabalho análogo à escravidão, pois, para eles, ela era tratada "como se fosse uma filha" desde que chegou à casa.

Os envolvidos são de baixa renda e vivem em uma casa humilde. Assim, a mulher dividia os mesmos espaços com todos até que, na pandemia, o casal se mudou para uma casa pastoral, voltando algumas vezes para a residência.

"A despeito de uma filha também ajudar nas tarefas domésticas, a vítima prestava um serviço diário, cuidando da casa e ajudando na criação dos filhos do casal", afirmou a coordenadora da operação.

O pastor afirmou, ainda, que manteve um "relacionamento consensual" com a vítima e que partiu dele a iniciativa de procurá-la. Entretanto, a mulher afirmou, em depoimento, que tinha "nojo" do homem e que fugia dele pela casa.

"Ela não teria como consentir ou não com relações sexuais porque estava na situação vulnerável de alguém que é reduzido à condição análoga à de escravo. Consideramos que foram relações de abuso".

A auditora avalia que a família ficou sabendo que isso ocorria, mas manteve as aparências. "A empregadora ainda disse que perdoava a trabalhadora por conta da relação com o marido, ignorando a situação de exploração ao qual ela a submetia".

Acordo

Os salários atrasados e verbas rescisórias foram calculados em cerca de R$ 88 mil - parte da dívida já prescreveu. Além disso, o Ministério Público do Trabalho pediu R$ 200 mil em danos morais individuais para a vítima, valor condizente com a baixa renda da família.

 

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