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14/04/2015 10:08

Mulher que viveu 22 anos em cárcere privado morre após 2 anos em liberdade

A vida em liberdade de Cira da Silva, 46 anos, durou apenas dois anos. Depois de ser mantida em cárcere privado por 22 anos, ela morreu vítima de um câncer à meia noite desta terça-feira (14) em Campo Grande.

De acordo com o pai de Cira, Adão Sabino, os problemas de saúde se arrastam desde os tempos em que vivia em cárcere no bairro Aero Rancho. O problema teria começado com uma inflamação na perna, que o então marido Ângelo da Guarda Borges, não a deixou tratar.

“Ela me disse que sofria da perna há muito tempo, mas que o sequestrador dela não deixava ela ir no médico tratar”, diz o pai.

Dona Cira e seus quatro filhos ficaram conhecidos em todo Brasil depois de serem libertados, em dezembro de 2013, de um cárcere privado em que foram mantidos por 22 anos pelo pedreiro Ângelo. (Leia aqui

Após denúncia de vizinhos, a mulher e os quatro filhos foram libertados no final de 2013.  A vizinhança acompanhava a história da família mas não denunciavam à polícia por medo. Cira era agredida constantemente pelo marido. 

Nos últimos anos, a mulher viveu com o pai em uma casa construída por ele nos fundos de seu terreno. “Eles moravam comigo, as crianças estão se recuperando e estava tudo melhorando, só ela que sempre sofreu da perna”, explica Adão.

Ele conta que com a ajuda das outras filhas irá criar os netos e garantir um bom futuro para as crianças. “Eles sofreram a vida toda e agora que estava tudo bem, acontece isso. Só por Deus”, conta o pai bastante abatido. 

Cira está sendo velada na funerária Campo Grande, na rua 13 de Maio, na manhã desta terça-feira (14). 

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