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Geral

Mulheres adiam a gravidez com medo da microcefalia causada por Zika vírus

20 dezembro 2015 - 07h53Por Jornal Hoje

O Zika vírus levou muitas mulheres a adiar a gravidez. Nas clínicas de fertilização, uma opção é congelar os embriões. Para quem estava pensando em engravidar naturalmente, alguns médicos orientam esperar um pouquinho mais.

Embriões congelados em uma clínica do Rio de Janeiro estão em compasso de espera. A luana tem um guardado, pronto para ser implantado. Há dois anos, ela sonha com um bebê. Mas agora, a decisão tomada junto com o marido, foi de adiar a gravidez.

"É o medo de fazer nessa ansiedade e nascer o bebê com problema. Qualquer risco que você possa evitar, que tá nas minhas mãos evitar, eu acho bacana evitar", diz a publicitária Luana Crespo.

O conselho veio da médica responsável pelo tratamento de fertilização. "O que a gente recomenda é que faça o tratamento mas não transfira embriões, que a gente faça o congelamento dos embriões", explica Maria Cecília Erthal, diretora médica da clínica.

A microcefalia traz preocupação para esta fase da vida tão especial. É um momento de muita expectativa para as grávidas, que costumam logo no começo do exame fazer perguntas sobre o tamanho da cabeça do bebê. No Rio de Janeiro, a Associação de Ginecologia e Obstetrícia já tomou uma posição sobre o conselho que os médicos devem dar para os casais que desejam ter uma gestação neste momento.

"A recomendação mais segura, havendo a possibilidade, é de se postergar a gestação", diz Marcelo Burlá, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro.

O ministro da Saúde não quer fazer a mesma recomendação. "Nós nunca dissemos que não é para as pessoas engravidarem. O que nós estamos dizendo é que, se a pessoa tomar essa decisão, deve se cercar de todo o cuidado", declara o ministro Marcelo Castro.

Para Marcelo Burlá, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, o verão é a pior época para engravidar: "Passando esse período mais quente, a probabilidade, a tendência, é que diminua o número de mosquitos e, da mesma maneira que a chikungunya, que a dengue, diminui a incidência".

O boletim epidemiológico mais recente do Ministério da Saúde informou que até o dia 12 de dezembro foram registrados mais de 2,4 mil casos de microcefalia relacionados ao Zika vírus no Brasil. 29 crianças morreram. Ainda segundo o governo esses casos estão distribuídos em 549 municípios de 19 estados e no Distrito Federal.