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Na França, campo-grandense relata clima de tensão e teme novos ataques

14 novembro 2015 - 12h33Por Amanda Amaral

O ataque terrorista ocorrido em Paris na noite de ontem (13), foi destaque dos principais jornais em todo o mundo e repercutiu também entre campo-grandenses nas redes sociais e quem está morando no país europeu. Conforme o jornal francês Le Monde, até o momento foram contabilizados 128 mortos e 237 feridos, 80 deles em estado grave. Há dois brasileiros confirmados entre os feridos, mas eles não tiveram o estado de saúde divulgado pela embaixada do Brasil do país.

Oito terroristas do grupo autodenominado 'Estado Islâmico', que reivindicou autoria dos ataques, invadiram sete locais com coletes explosivos. Entre eles, uma tradicional casa de shows e o estádio nacional, onde ocorria um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha. As informações são da Agência Lusa de Notícias, publicadas na Agência Brasil.

A campo-grandense Mariana Maia está há alguns meses no país a estudos, morando na cidade de Lille, a 250 km ao norte de Paris, e conta que todos ainda estão em estado de alerta. “Meu amigo que mora em Paris disse que passaram gritando na frente da casa dele, estava tendo um tiroteio bem do lado. Está tudo muito tenso, não dá pra entender. Fecharam as fronteiras e, mesmo eu estando distante, é assustador”.

Na cidade onde mora, ela conta que toda a programação promovida pela prefeitura foi suspensa e as ruas estão completamente vazias. “Outra amiga, que mora na fronteira com a Alemanha, não pode retornar para França hoje por causa disso. O ônibus teve que parar na entrada e agora ainda parece que estão planejando ataques em outros países da Europa”, relatou.

Paris antes dos ataques que chocaram o mundo - Foto: Mariana Maia

Nas redes sociais, a campo-grandense bacharel em Direito, Mariana da Silva, disse que se sensibilizou com o ocorrido, mas ficou incomodada com a reação que algumas pessoas tiveram, comparando com a tragédia no interior de Minas Gerais, onde, até então, sete pessoas morreram após o rompimento das barragens Fundão Santarém. “Não vi tanta gente "praying (rezando)" assim via face e insta pela tragédia em Mariana/MG como vejo agora por Paris” dizia a publicação.

Ela completou dizendo que não comparou a causa dos fatos em si, mas sim sentiu a necessidade de compartilhar um comentário sobre a impressão que teve de que, ao menos na rede social em questão, as pessoas deram mais ênfase nas orações às vítimas da tragédia internacional.

A comparação foi ‘tema de desabafo’ também da jornalista Tainá Jara, que criticou o fato dos pesos e medidas serem tão diferentes, especialmente em relação ao espaço em que a mídia costuma dar às notícias de outros países em comparação ao próprio.

“Não acho que nenhuma das tragédias é menos dolorosa do que a outra. Mas não consigo entender o Jornal Nacional dedicar quase a metade da edição para o ataque em Paris, enquanto a lama da [mineradora] Samarco segue sem informações precisas. Um dos maiores desastres ambientais dos últimos tempos e com mortes humanas tem um minutinho só. Que valor-notícia é esse? Acredito que se houvesse mais empenho muita coisa já estaria explicada. O jornalismo brasileiro parece deixar passar batido os grandes factuais do país”, disse na publicação, que recebeu a concordância de cerca de 60 amigos de sua rede social.