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Padre Reginaldo Manzotti fala sobre assédio e diz ser fã do Guns N' Roses

Ele conta como lida com o assédio de fãs mais "saidinhas" e como é sua relação com a vaidade e as redes sociais

17 DEZ 2016
Ego
08h08min
Foto: Washington Possat

O padre Reginaldo Manzotti cativou o público com seu jeito espontâneo e uma boa dose de sinceridade. Escritor, músico, compositor, cantor e apresentador de programas de rádio e TV, o sacerdote vive com a agenda cheia de compromissos e viagens para fazer missas seguidas de shows pelo país. Com nove livros, 12 CD's e quatro DVD's lançados, Manzotti já fez parceiras musicais com cantores como Luan Santana, Thiaguinho e a dupla Fernando & Sorocaba.

Por falar em música, Padre Reginaldo - que foi indicado ao Grammy Latino em 2013 - surpreende ao contar que gosta ouvir a banda de rock Guns n' Roses e se interessa por outros ritmos, como samba e sertanejo, para se inspirar. Em entrevista ao EGO, ele também conta como lida com o assédio de fãs mais "saidinhas" e como é sua relação com a vaidade e as redes sociais. Leia abaixo:

EGO: Neste ano, o Papa Francisco autorizou, em caráter definitivo, padres a perdoar mulheres que fizeram abortos. O senhor acredita que a Igreja está se modernizando?

PRM: Não vejo uma modernização, vejo uma tentativa de responder aos problemas e às perguntas de hoje com coragem. O Papa Francisco está tendo coragem para responder aos novos questionamentos que a vida impõe. No que se refere ao aborto, sem dúvida a Igreja continua com sua posição muito clara, contrária ao aborto em qualquer fase da sua concepção. Inclusive o que foi aprovado, a descriminalização do aborto até três meses, não é algo certo segundo o parecer da Igreja. Por outro lado, existe um princípio básico que é "contra o pecado, nunca contra o pecador".

EGO: Como assim?

PRM: O que o Papa Francisco está dizendo é que, uma vez cometido e se há um arrependimento - e é preciso este arrependimento -, a Igreja pode no sacramento da confissão, perdoar. Na verdade, por que complicar se pode descomplicar? O caminho é a simplicidade.

EGO: Você tem músicas com vários cantores. Como é fazer parcerias musicais com outros artistas não-religiosos?

PRM: São pessoas do bem, que somam, que contribuem, pessoas que a gente vai encontrando na vida, dividindo o mesmo público e a mesma fé. No caso do Luan Santana, ele é natural do Paraná, a família dele é do interior e me acompanha pelo rádio e surgiu o convite que ele prontamente aceitou. No caso do Thiaguinho é interessante porque a gente se encontrou e ele é muito devoto de Nossa Senhora Aparecida e talvez seja o ponto em comum. O Thiaguinho é uma pessoa sensacional, é um gentleman. Acabei fazendo o casamento dele com a Fernanda (Souza), que foi uma participação muito interessante para mim, porque os laços se estreitaram.

EGO: Essas parcerias lhe aproximam do público mais jovem?

PRM: Percebo que no começo meu público era composto mais por senhoras, meu público era feito mais de mulheres. O segundo acréscimo foi elas trazerem os maridos, então foi a volta dos homens à igreja. E, num passado recente, tenho percebido um número significativo de jovens participando dos eventos e fico muito feliz por isso. Saio um pouco do clássico, dos arranjos antigos para arranjadores mais modernos. Isso também ajuda bastante.

EGO: Você ouve músicas e cantores que não são religiosos?

PRM:  Sou muito eclético no que escuto. Sou fã há muito tempo do Guns N' Roses. Gosto do sertanejo universitário, do sertanejo de raiz, MPB, escuto muita coisa variada. Até para ver as tendências, os arranjos, é muito importante que o ouvido seja eclético.

 EGO: Você já recebeu o apelido “o padre que arrasta multidões”, por reunir quase dois  milhões de pessoas em suas missas. Acredita que sua figura pode ficar em evidência, assim como astros da música, e acabar sendo adorando mais do que a mensagem que passa?

 PR M: Quando eu perceber que é uma adoração, vou ter uma atitude mais forte porque adorar é tão somente a Deus. Às vezes percebo que as pessoas acabam se aproximando de mim por causa de mim. Isso num primeiro momento é até aceitável, porque acabo sendo um porta-voz de uma grande mensagem que é Jesus Cristo. Então é normal que as pessoas se aproximem do mensageiro para escutar o que ele está dizendo. Só que, em um segundo momento, e essa preocupação eu tenho, é que elas passem do mensageiro para quem passou a mensagem.

EGO: E o que você faz para evitar essa adoração?

PRM: Estabelecendo coisas muito práticas, me posicionando nos eventos de forma simples. Se tem camarim porque preciso trocar uma roupa, dou acesso ao povo, trato as pessoas de uma forma muito mais informal, então me emponho como padre. Não sou artista, sou padre. Mas vou te dizer: mesmo assim acontece de as pessoas virem e não conseguirem fazer essa passagem. Aí requer da gente ter um discernimento, bom senso, um pouco de pulso firme. E, quando alguém se aventura a ultrapassar esta linha que se estabelece do respeito, alguém que possa confundir as coisas e ver mais o lado homem do que o lado padre, você chama a pessoa ao bom senso, à sensatez.

EGO: Como você lida com o assédio dos fãs?

PRM: Na grande maioria o assédio é para o padre, aquele que vem em nome do Senhor, mas sempre tem uma pessoa desavisada ou que não teve tempo de assimilar e confunde as coisas. Nesses casos, a gente tira de letra. Você faz que não entende e segue o caminho, porque não é por causa de um fato que você vai colocar em questão toda a evangelização. São coisas que estão bem resolvidas para mim, então isso me deixa muito mais livre. Quando uma pessoa está mal resolvida, uma atitude equivocada balança com ela. No caso, estou bem resolvido com aquilo que quero, sou padre há 21 anos, então fica mais fácil. Ninguém pode dizer "eu me garanto", todo mundo tem que se policiar. Todos nós: casados, solteiros, padres, religiosos... Temos que saber os nossos limites porque isso é ser humano.

EGO: Você se considera vaidoso?

PRM: Trabalho com televisão, então tenho que me preocupar com aparência porque senão meu diretor briga. Não diria que sou vaidoso, cuido dessa carga que vai transmitir uma mensagem. Primeiro, me cuido por uma questão de saúde, faço exercícios, malho todos os dias e corro porque sou bom de garfo. Não posso ser sedentário porque preciso ter pique para fazer shows de quatro horas e mais as viagens. Cuido bem da máquina, mas não sou obcecado. Tenho que oferecer conteúdo, mas a embalagem também ajuda. Não é porque é para Jesus Cristo que vou oferecer qualquer coisa. Então não me considero vaidoso, me considero uma pessoa que quer oferecer o melhor para aquele que me chamou.

EGO: Você tem mais 6 milhões de seguidores no Facebook e quase meio milhão no Instagram. Como é sua relação com as redes sociais?

PRM: Muito tranquila e atuante. No Instagram, gosto de mostrar meus vídeos, por onde ando... É impressionante que curtem muito. Percebo que tem um público mais jovem, mas hoje esse mito está caindo, as pessoas de meia idade e até mesmo mais idosas estão se aventurando em todos os meios de comunicação.

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